Zimbábue vive um caos humanitário entre a cólera e a falta de alimentos

Os últimos dados divulgados por organizações internacionais evidencia a dramática situação humanitária vivida pelo Zimbábue, cuja economia sofre de um marasmo total desde 2000 e atualmente está marcada por uma queda total de sua produção, uma inflação que chega a porcentagem de milhões e um desemprego que afeta 94% da população.

AFP |

Mais de 60.000 casos de cólera foram diagnosticados dsesde o início da epidemia no Zimbábue em agosto passado, anunciou nesta sexta-feira, em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No total, a epidemia já matou 3.161 pessoas.

O informe foi descrito como a pior situação já registrada na região pelas organizações humanitárias.

"A cólera está fora de controle e isso não mudará num futuro próximo", alerta a organização.

A estação das chuvas favorece a transmissão da doença pelo acúmulo de água suja. A OMS considera que a metade dos 12 milhões de habitantes corre o risco de contrair a doença.

A epidemia já se estendeu aos países vizinhos, principalmente à África do Sul, onde 2.600 pessoas contraíram a doença e 31 morreram.

Além disso, a falta de alimentos no país também preocupa as organizações internacionais.

Na véspera, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciou que cerca de 7 dos 13 milhões de habitantes do Zimbábue precisa de ajuda humanitária para sobreviver até a próxima colheita, em abril.

Essa cifra supõe um aumento de 35% em relação à estimativa do ano passado.

"A situação se deteriorou desde nossa última estimativa, que foi de 5,1 milhões de pessoas carentes de ajuda alimentar. Além disso, a situação se degrada a uma velocidade que não estava prevista", afirmou o porta-voz do PMA para África austral, Richard Lee.

O PMA prevê distribuir ajuda a esses 5,1 milhões de pessoas, enquanto outras organizações se dispuseram a doar comida para 1,8 milhão de habitantes até abril, acrescentou.

Mas a organização se verá obrigada a dividir pela metade as rações de cereais, ou seja, cinco quilos por pessoa e por mês para poder atender a todos que têm fome no país.

Inicialmente estas porções eram de 12 kg foram reduzidas para 10 kg e agora o serão pela metade. Além de cereais, são distribuídos feijões e óleo para cozinhar.

O setor agrícola do Zimbábue, que antes fornecia cereais à região, agora está completamente desorganizado por uma reforma agrária feita de maneira precipitada e violenta em 2000, que obrigou a partida do país de mais de 4.000 fazendeiros brancos.

O conflito político impossibilita a organização interna. Na segunda-feira, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) inaugurou em Pretória uma reunião extraordinária sobre a crise política no Zimbábue.

Sete chefes de Estado (Zimbábue, África do Sul, Botsuana, Moçambique, Zâmbia, Namíbia e Tanzânia) e representantes de outros países da SADC começaram a discutir a portas fechadas a situação do Zimbábue.

A SADC tenta novamente obter um acordo entre o presidente zimbabuano Robert Mugabe e a oposição, que não conseguem aplicar um acordo de divisão de poder assinado em 15 de setembro.

O líder da oposição do país, Morgan Tsvangirai, e o presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, se reuniram antes do encontro multilateral.

ylf/cn

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