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HARARE - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, tenta implementar um golpe militar branco para continuar no poder, mas acabará por ser deposto com a ajuda de outros países africanos, afirmou Morgan Tsvangirai, líder da oposição zimbabuana.

'Vamos conseguir afastar Mugabe. Mugabe está perdendo sua base de apoio. Ninguém da região deseja hoje chegar perto de Mugabe. Ao final, ele acabará sendo colocado para fora', afirmou Tsvangirai à revista Time.

O Movimento pela Mudança Democrática (MDC), liderado pelo líder oposicionista, acusa Mugabe, 84, de atrasar a divulgação dos resultados da eleição presidencial de 29 de março a fim de ter tempo para planejar uma resposta violenta à maior derrota que já sofreu desde que subiu ao poder, em 1980.

O partido Zanu-PF, de Mugabe, perdeu o controle do Parlamento pela primeira vez em uma eleição, mas não foram divulgados os resultados do pleito presidencial realizado no mesmo dia.

'Trata-se, em um certo sentido, de um golpe militar branco.

Eles espalharam soldados pelo país todo, preparando-se para um segundo turno e para eventualmente reprimir a população. Essa é uma tentativa de criar condições para que Mugabe vença', afirmou Tsvangirai.

O ministro zimbabuano da Justiça, Patrick Chinamasa, disse na sexta-feira que o partido governista preparava-se para o segundo turno depois de uma contagem preliminar ter mostrado que nem Tsvangirai e nem Mugabe conquistaram a maioria absoluta dos votos para vencer a disputa já no primeiro turno.

O MDC rejeitou tanto a possibilidade de realizar um novo turno quando as tentativas do Zanu-PF de ver recontados os votos relativos a 14 cadeiras do Parlamento. A oposição argumenta que Tsvangirai venceu a disputa e que o governo de Mugabe, iniciado 28 anos atrás, deveria acabar imediatamente.

O SADC, um órgão regional, convocou uma cúpula de emergência para ser realizada em Lusaka (Zâmbia), no sábado. A entidade teme a possibilidade de haver conflitos violentos no Zimbábue. Um ministro do governo zimbabuano confirmou na quinta-feira que Mugabe participaria da cúpula.

Tsvangirai afirmou que tentaria convencer os líderes da região a pressionarem Mugabe para que saísse do cargo.

O SADC foi criticado outras vezes por não conseguir pressionar o presidente zimbabuano apesar do colapso econômico do Zimbábue, que hoje convive com a maior taxa de inflação do mundo, com uma carência de alimentos e combustível e com uma moeda quase sem valor nenhum.

(Reportagem adicional de MacDonald Dzirutwe, Stella Mapenzauswa, Nelson Banya e Muchena Zigomo)

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