Zimbábue: vídeo confirma fraude eleitoral

Um vídeo gravado com uma câmera oculta por um guarda penitenciário revela a fraude eleitoral montada pelo presidente Robert Mugabe para se manter no poder no Zimbábue.

AFP |

Realizado a pedido do jornal britânico The Guardian, o vídeo, de 10 minutos e 38 segundos, foi gravado dias antes do segundo turno das eleições presidenciais do Zimbábue, em 27 de junho.

A gravação foi feita por Shepherd Yuda, de 36 anos, na prisão central de Harare, onde trabalhava de guarda até fugir do país, com a esposa grávida e os filhos.

De início, Yuda faria um relato da vida diária na prisão de Harare, mas a gravação acabou por revelar a fraude eleitoral operada por militantes do Zanu-PF, o partido de Mugabe.

Na gravação, divulgada no site do The Guardian, Yuda e outros guardas recebem das mãos de um homem identificado como "Shambira", um responsável da prisão, um envelope contendo material eleitoral para o voto por correspondência.

Orientados por Shambira, os guardas fornecem seu número de identificação, para que a cédula eleitoral seja preenchida, antes de ser dobrada e colocada em um envelope pelo chefe.

Yuda também gravou uma reunião "obrigatória", convocada pelos diretores do serviço penitenciário, onde os oradores gritam: "Viva Zanu-PF. Viva Zanu-PF. Abaixo o MDC" (Movimento pela Mudança Democrática, oposição)

No encontro, um militante do partido de Mugabe garante aos guardas que Morgan Tsvangirai, candidato da oposição, não tem como vencer. "Mesmo se vocês votarem nele, mesmo se ganhar, jamais dirigirá este país. Vocês entendem isto? Ele não vai governar nunca".

Robert Mugabe, o mais antigo dos chefes de Estado africanos, há 28 anos no poder, tomou posse no domingo passado, para um sexto mandato de presidente do Zimbábue, ao final de uma eleição "fraudada", segundo a oposição e os países ocidentais.

Vencedor do primeiro turno da eleição, em 29 de março, Tsvangirai abandonou a disputa eleitoral diante da violência contra seus partidários, que deixou 103 mortos, 10 mil feridos e 5 mil desaparecidos.

elm/LR

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