Zimbábue vai realizar eleições mesmo com retirada formal da oposição

Stanley Karombo Harare, 24 jun (EFE).- O Governo do Zimbábue ratificou hoje que irá adiante com o segundo turno das eleições presidenciais na próxima sexta-feira, apesar da retirada formal da oposição da disputa eleitoral.

EFE |

O principal partido opositor, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), confirmou hoje por escrito à Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC) que seu líder, Morgan Tsvangirai, não participará do segundo turno, alegando que "um pleito livre e justo é impossível nas atuais circunstâncias".

No entanto, as autoridades de Harare disseram que o anúncio do MDC "chegou tarde" e que a votação acontecerá.

"As eleições serão realizadas na sexta-feira de acordo com nossas leis. Qualquer anúncio de retirada, seja verbal ou escrito, chegou tarde e é nulo pois deveria ter sido feito 21 dias antes da primeira votação", em 29 de março passado, disse a jornalistas o ministro da Justiça zimbabuano, Patrick Chinamasa.

O MDC cita a atual onda de violência e assassinatos provocada pelo partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) contra seus seguidores como a causa principal de sua retirada das eleições.

No último domingo, Tsvangirai anunciou que se retirava da disputa, já que, segundo ele, participar do pleito pode significar "agressões físicas e até a morte para os seguidores do MDC".

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou na segunda-feira a campanha de violência contra a oposição zimbabuana e advertiu que estas ações impedem a realização de eleições presidenciais "livres e justas".

O texto, elaborado após intensas negociações entre os 15 membros do principal órgão da ONU, pede que o regime de Mugabe dialogue com a oposição para conseguir a formação de um Governo conjunto "legítimo", mas não exige adiamento do pleito, como queriam alguns países ocidentais e o próprio secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Ban desaconselhou firmemente que o Zimbábue realize o segundo turno das eleições por acreditar que o pleito "conseguirá apenas aprofundar a divisão no país e produzirá resultados sem credibilidade".

Em declarações à imprensa, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tom Casey, afirmou que "se as eleições acontecerem e Mugabe se declarar presidente depois delas (...) será algo rejeitado de maneira uniforme pela comunidade internacional".

Casey lembrou que o Conselho de Segurança da ONU e os vizinhos africanos do Zimbábue condenaram de modo unânime a campanha de violência contra a oposição, liderada pelo MDC de Tsvangirai.

"Vamos continuar deixando claro ao Governo de Mugabe que esta violência política, que procura assegurar a continuidade do regime, não é algo que vá ser efetivo", afirmou o porta-voz americano.

No entanto, o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, rejeitou as chamadas internacionais para que o país adie o pleito e negocie com o MDC para formar um Governo conjunto que permita tirar o Zimbábue da crise política e evite um aumento da violência.

"Os países ocidentais podem falar tudo o que quiserem, as eleições acontecerão. Aqueles que quiserem reconhecer nossa legitimidade podem fazê-lo, os que não quiserem, não o façam", disse hoje Mugabe durante uma manifestação da Zanu-PF em uma localidade rural do oeste do país.

Mugabe rejeitou ainda as afirmações do MDC de que a vida de Tsvangirai está em perigo e que por isso teve que buscar refúgio na embaixada da Holanda em Harare.

"Tsvangirai tem medo de que para correr e se refugiar na embaixada holandesa? Os únicos que Tsvangirai deve temer são os eleitores, que votarão contra ele. Ninguém quer matar Tsvangirai", afirmou o chefe de Estado zimbabuano.

Desde o primeiro turno das eleições presidenciais, morreram cerca de 100 simpatizantes do MDC, centenas foram agredidos brutalmente por milicianos da Zanu-PF, outros foram detidos pela Polícia.

O regime de Mugabe não permite reuniões públicas da oposição e se nega a aceitar observadores internacionais no segundo turno. EFE sk/rb/rr

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