O governo do Zimbábue suspendeu nesta sexta-feira restrições ao trabalho de ONGs no país, que haviam sido implementadas em antecipação ao controvertido segundo turno das eleições presidenciais de junho. Na época, o presidente Robert Mugabe, que concorria à reeleição, acusou algumas agências de apoiarem a oposição - alegação que elas negaram.

Críticos do regime dizem que as restrições foram impostas para aumentar o controle do governo sobre ajuda alimentar externa, depois que ele foi acusado de não distribuir suprimentos em áreas de simpatizantes da oposição.

O anúncio desta sexta-feira é feito em um momento em que são retomadas na África do Sul as negociações entre o Zanu-PF, partido de Mugabe, e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), do líder oposicionista Morgan Tsvangirai. Ambos alegam ter vencido o pleito.

Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições em março, mas retirou-se do segundo turno que disputaria com Mugabe, alegando que o governo estava promovendo uma campanha de violência contra os seus simpatizantes.

Segundo o MDC, cerca de 200 pessoas morreram e 200 mil foram forçadas a deixar suas casas.

As conversações para um governo de poder compartilhado estão emperradas há várias semanas. O presidente Mugabe ameaça governar sozinho, e formar um novo gabinete.

Violência
Durante a campanha eleitoral, uma onda de violência atingiu o país e o acesso a áreas rurais foi restringido, deixando centenas de milhares de pessoas vuneráveis sem alimento.

Em meados deste mês, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, advertiu que poderia haver uma crise humanitária catastrófica no país se as agências de ajuda não fossem autorizadas a retomar seu trabalho.

Organizações de ajuda humanitária dizem que 2 milhões de pessoas precisam hoje de assistência e este número pode subir para 5 milhões em meados do próximo ano.

Mais uma colheita mau sucedida veio a agravar as dificuldades do povo do Zimbábue, que enfrenta uma economia em colapso e hiperinflação.

A organização assistencial britânica Save the Children (Salve as Crianças) disse que vai mandar na próxima semana uma equipe de 120 pessoas para o Zimbábue para retomar o trabalho nas áreas onde operava.

Na quinta-feira, a Cruz Vermelha fez um apelo urgente por quase US$ 27 milhões, alegando que neste ano a escassez de alimentos deve ser mais acentuada por causa do encarecimento dos produtos e da falta de moeda estrangeira para importar comida.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.