Zimbábue: Resultado de eleição pode ser anunciado no domingo

O anúncio dos resultados finais da eleição presidencial do Zimbábue deverá ser atrasado, segundo autoridades eleitorais do país. A Comissão Eleitoral do país informou que espera poder anunciar os resultados no domingo, um dia mais tarde do que o previsto.

BBC Brasil |

As autoridades eleitorais chegaram a informar que a contagem dos votos estava encerrada, mas os resultados das regiões rurais do país continuaram chegando.

O presidente Robert Mugabe teria vencido o segundo turno das eleições, que ocorreu na sexta-feira, com uma grande vantagem. O segundo turno foi boicotado pelo candidato da oposição, Morgan Tsvangirai.

Morgan Tsvangirai se retirou da disputa por causa da violência e da intimidação sofridas por seus partidários.

Mesmo com o atraso na divulgação dos resultados, Mugabe deve assumir mais um mandato como presidente do Zimbábue neste domingo.

Sanções
Ao contrário do que foi informado pelos jornais do governo, o chefe da missão de observadores do Parlamento Pan-Africano afirmou que o comparecimento dos eleitores na votação de sexta-feira foi "muito, muito baixo".

Outros observadores internacionais relataram que muitas cédulas de votação foram estragadas e, em algumas áreas, o número destas cédulas estragadas pode ser maior do que o número de votos.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que vai pressionar para que a ONU tome medidas severas contra o que ele chamou de governo "ilegítimo" do Zimbábue.

Em uma declaração Bush afirmou que quer uma proibição à exportação de armas para o país e a proibição de viagens para autoridades do governo do país.

No entanto o ministro da Justiça do Zimbábue, Patrick Chinamasa, afirmou que o partido do presidente Mugabe, o Zanu-PF, está preparado para negociar com a oposição e rejeita qualquer intervenção externa.

"Nos deixe em paz para conversarmos sem interferência de intrusos, sem qualquer pressão para os negociadores", afirmou.

O ministro do Exterior do Quênia, Moses Watangula, disse que possíveis sanções contra o Zimbábue não devem funcionar.

Watangula disse que em vez da aplicação de sanções, Mugabe e a oposição deveriam ser incentivados a conversar.

O Conselho de Segurança da ONU deve voltar a discutir a situação no Zimbábue nos próximos dias. Porém, diplomatas acreditam que a resistência de África do Sul, China e Rússia torne difícil a adoção de sanções.

Coerção
Um grupo de monitoramento eleitoral, o Zimbabwe Election Support Network, afirmou que na maioria das áreas rurais, os eleitores foram obrigados a votar na eleição desta sexta-feira.

Um jornalista do país disse que milícias leais a Mugabe foram de porta em porta em algumas cidades para coagir as pessoas.

Mugabe ficou em segundo lugar no primeiro turno da eleição presidencial em março, perdendo para Tsvangirai.

De lá para cá, o partido do líder da oposição, MDC, disse que 86 de seus partidários foram assassinados e 200 mil foram obrigados a deixar suas casas pelas milícias leais ao partido governista Zanu-PF.

O governo culpa o MDC pela violência, mas Mugabe sugeriu que negociações com a oposição são possíveis - "se formos vitoriosos, o que acho que seremos".

Tsvangirai disse que não haveria possibilidade de haver negociações se Mugabe seguisse adiante com o segundo turno.

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