Zimbábue realiza segundo turno sem oposição e apesar de pedido da ONU

O Zimbábue prosseguia hoje os preparativos para o segundo turno das eleições presidenciais de sexta-feira, apesar do boicote anunciado pelo líder da oposição, Morgan Tsvangirai, e do pedido da ONU de que as consultas fossem adiadas.

AFP |

"Seguiremos adiante com nossa eleição", disse o presidente Robert Mugabe, acusando a oposição de temer a derrota nas urnas.

O ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, também frisou que "a eleição acontecerá nesta sexta-feira de acordo com nossas leis e nossa Constituição".

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou na segunda-feira, por unanimidade, a campanha de violência contra a oposição do Zimbábue e "o comportamento do governo, que negou aos seus opositores políticos o direito de fazer campanha livremente".

A violência e a intimidação "tornou impossível realizar eleições livres e justas" na próxima sexta-feira, segundo nota do Conselho de Segurança. Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou às autoridades para que adiem as eleições.

Devido à repressão, o líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai desistiu, no domingo, de enfrentar o presidente Robert Mugabe nas eleições.

O líder do MDC se referiu a uma "orgia de violência" no país e disse que "não pode pedir ao eleitorado que arriscasse suas vidas" por ele.

Enquanto persistia a tensão, Tsvangirai se refugiou na embaixada holandesa em Harare, de onde espera sair "nos próximos dois dias." "Eu tenho avaliado minha situação e logo que me certificar de que a segurança está garantida, partirei", disse à AFP.

O líder oposicionista, que foi detido pela polícia em cinco ocasiões durante a sua campanha antes de ser liberado, sem qualquer acusação formal, não quis revelar o próximo destino por razões de segurança.

Tsvangirai também afastou a participação nas eleições, enquanto não mudar "a atual situação" no país. Na segunda-feira, ele havia pedido a anulação das eleições presidenciais e a organização de "uma nova eleição, especial com uma atmosfera livre e justa".

"O governo pode fazer o que quiser: não vai haver eleições, pois eu como candidato não irei participar e porque as pessoas não vão participar", disse, em uma entrevista a uma rádio holandesa.

O líder oposicionista comemorou ainda a posição tomada pelas Nações Unidas.

"Acredito que a combinação da União Européia e das Nações Unidas irá produzir a necessária pressão", disse.

bur-chp/fb

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