Zimbábue prepara segundo turno sem oposição e criticado pela ONU

O governo do Zimbábue prosseguia nesta terça-feira com os preparativos para o segundo turno presidencial de sexta-feira, sem levar em consideração os pedidos internacionais para que cancele as eleições nem se incomodar com o fato da oposição ter confirmado a retirada da disputa de seu líder, Morgan Tsvangirai, que continua refugiado na embaixada da Holanda.

AFP |

"Entregamos uma carta clara e bem escrita à Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC). Nesta carta indicamos claramente que não participaremos na eleição", declarou o porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Nelson Chamisa.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou na segunda-feira a campanha de violência contra a oposição no Zimbábue, que torna "impossível" a realização de eleições livres e justas.

Em uma declaração aprovada por unanimidade, o Conselho "condenou a campanha de violência contra a oposição política diante da aproximação do segundo turno das eleições presidenciais", previsto para sexta-feira.

O Conselho condena ainda "o comportamento do governo de negar aos opositores políticos o direito de fazer sua campanha livremente".

"Essas violências e restrições tornam impossível a realização de uma eleição livre e eqüitativa em 27 de junho", destaca o texto, lido pelo embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, que preside o Conselho no mês de junho.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o adiamento do segundo turno devido ao clima de violência presente no país.

"Há violência e intimidação demais" no Zimbábue. "Uma eleição nessas condições seria desprovida de qualquer legitimidade", declarou.

Tsvangirai afirmou nesta terça-feira em entrevista por telefone à AFP que é "impossível" celebrar nas atuais condições a votação.

"A ONU só pode recomendar o adiamento da eleição. Não tem nenhuma jurisdição para adiá-la; Porém, está claro que é impossível celebrar eleições nas atuais condições", declarou o líder do MDC.

Tsvangirai anunciou no sábado a retirada de sua candidatura para o segundo turno, no qual enfrentaria o presidente Robert Mugabe, por causa da onda de violência contra seus partidários.

O líder opositor se refugiou no domingo à noite na embaixada da Holanda em Harare.

O governo zimbabuano rebateu as denúncias e decidiu prosseguir com os preparativos das eleições.

Tsvangirai disse ainda que pretende sair da embaixada quando tiver certeza de que não corre perigo.

"Me disseram que posso ficar enquanto considerar que não é seguro sair", afirmou, antes de acrescentar que talvez deixe a embaixada "nos próximos dois dias".

bur/fp/cn

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