Zimbábue participará de cúpula regional para analisar eleições

Harare, 10 abr (EFE).- O Governo do Zimbábue se mostrou hoje disposto a participar de uma cúpula regional para analisar as últimas eleições no país, mas reiterou que não aceitará interferências externas no processo de apuração da votação.

EFE |

A cúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), que reúne os 14 países do sul do continente africano, foi convocada para este sábado em Lusaka, capital da Zâmbia.

O chefe de Estado zambiense e atual presidente da SADC, Levy Mwanawasa, afirmou que a reunião analisará maneiras de ajudar o povo do Zimbábue a superar o atual estado de "ponto morto", após as eleições de 29 de março.

O "ponto morto" citado por Mwanawasa se refere à recusa da Comissão Eleitoral a divulgar o resultado das últimas eleições presidenciais do país, mesmo a votação tendo acabado simultaneamente com a do pleito legislativo, cujos resultados já foram anunciados.

Em comunicado publicado hoje pelo jornal "The Herald", controlado pelo Governo, o ministro da Informação zimbabuano, Sikhanyiso Ndlovu, disse que a cúpula da SADC é um "procedimento normal".

"Somos vizinhos, e esse é o espírito da SADC: reunir-se e debater, qualquer que seja o tema", acrescentou Ndlovu, que destacou que, na reunião, o Zimbábue entregará dados sobre o processo posterior às eleições de 29 de março.

No passado, a SADC tratou com tolerância o regime do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, no poder desde 1980, apesar das denúncias sobre violações dos direitos humanos e da liberdade de informação no país.

As únicas críticas a Mugabe nesse fórum foram feitas em 21 de março de 2007, por Mwanawasa, quando este disse que a situação do Zimbábue se parecia com a de um "Titanic afundando", em referência à grave crise econômica do país.

No entanto, dias após dessas declarações, uma cúpula presidencial da SADC se solidarizou com Mugabe, e ignorou a brutal repressão a uma manifestação da oposição em 11 de março, que terminou com dezenas de detidos, alguns deles torturados.

O ministro da Informação zimbabuano lembrou que a SADC enviou às últimas eleições uma missão de observadores - uma das poucas autorizadas -, enquanto Harare excluiu, entre outros, a União Européia (UE) e os Estados Unidos, que costumam enviar delegações a pleitos no continente africano.

Em uma primeira avaliação, a missão de observadores da SADC disse que a votação de 29 de março foi uma "expressão pacífica e crível da vontade do povo".

Nas eleições parlamentares de 2005, outra missão da SADC disse que o pleito foi "aberto, transparente e profissional", apesar das denúncias, feitas pela oposição e por observadores independentes, de irregularidades e operações fraudulentas.

Mesmo disposto a comparecer à cúpula da Zâmbia, o Governo do Zimbábue enfatizou que não aceitará nenhum tipo de interferência externa que ponha em risco a soberania do país, acrescentou Ndlovu.

"Nenhum indivíduo ou organização, nacional ou internacional, deve tentar usurpar a autoridade da Comissão Eleitoral do Zimbábue no processamento dos resultados das eleições deste país", declarou.

A oposição afirma que, segundo os cômputos das atas eleitorais colocadas nos centros de votação, o candidato presidencial do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, obteve 50,3% dos votos.

Segundo estes números, Mugabe teria recebido 43,8% dos votos, resultado que daria a vitória em primeiro turno à oposição.

O partido da situação, União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), pediu uma recontagem geral dos votos, por considerar não foram computados, por erro ou deliberadamente, cerca de 8.600 votos para Mugabe.

A Comissão Eleitoral aceitou apenas uma apuração em cinco circunscrições, mas ainda não se pronunciou sobre outras solicitadas pelo Zanu-PF.

Especialistas descartam a possibilidade de aprovação de uma recontagem geral.

A oposição reclamou ontem que, apesar de ainda esperar a apuração do resultado das eleições presidenciais, a Comissão Eleitoral desmontou os escritórios onde estava instalado seu escritório central.

Na África do Sul, o jornal "The Star", que cita uma fonte da oposição, disse que os escritórios foram transferidos para um lugar secreto "por razões de segurança", e que o acesso a representantes do MDC e do candidato presidencial independente Simba Makoni foi proibido.

Na segunda-feira, o Tribunal Superior de Harare se pronunciará sobre uma solicitação da oposição para obrigar a Comissão Eleitoral a divulgar o resultado das eleições presidenciais. EFE ag/wr/gs

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