Zimbabue no centro do debate entre os dirigentes da União Africana

O Conselho da Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA), organismo encarregado da prevenção de conflitos no continente, iniciou neste domingo uma reunião dedicada ao Zimbábue.

AFP |

Vários chefes de Estado dos países membros do CPS, como o ruandês Paul Kagame e o argelino Abdelaziz Buteflika participam no encontro a portas fechadas, realizado no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh.

Essa localidade acolherá a partir desta segunda-feira uma cúpula de chefes de Estado e de Governo da UA na qual poderá estar presente o presidente zimbabuense Robert Mugabe, que tomou posse neste domingo depois de eleições criticadas pela comunidade internacional.

"É preciso encaminha debates que permitam encontrar soluções, ajudar o Zimbábue a se reencontrar, fazer com que as forças políticas do país iniciem um diálogo sereno", afirmou o presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, antes do início da reunião.

A UA tem dado sinais de mal-estar frente à crise no Zimbábue e seus 53 Estados membros ainda não encontrar um consenso quanto à questão.

A UA se esconde por trás de declarações diplomáticas otimistas e quer uma divisão de poder entre Mugabe e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que desistiu de disputar o segundo turno presidencial depois da onda de repressão contra seus partidários.

Designado mediador na crise em nome da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a África do Sul apresentou dois projetos de resolução desde sexta-feira.

O primeiro é firme e detalhado sobre uma possível divisão de poderes no Zimbábue, mas levantou reticência em várias delegações, principalmente a do Zimbábue.

O outro projeto pede apenas o fim da violência e o diálogo que, por ora, não foi adotado.

Já o Prêmio Nobel da Paz, o arcebispo anglicano sul-africano Desmond Tutu, foi mais enfático ao afirma que, se a pressão diplomática não conseguir surtir efeito junto a Robert Mugabe, existe um bom argumento para enviar uma força internacional ao Zimbábue.

"Esta crise tem de ser resolvida logo e acho que existe um argumento muito bom para enviar uma força internacional ao Zimbábue para restabelecer a paz", afirmou falando à rádio BBC.

Tutu também expressou sua esperança de que a União Africana (UA) adote um papel de líder na crise do país, e pediu que não reconheça a posição de Mugabe antes da cúpula que terá início nesta segunda-feira, na localidade egípcia de Sharm El-Sheikh.

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