Zimbábue: MDC obtém Presidência da Assembléia

Um político da oposição no Zimbábue foi eleito presidente da Casa da Assembléia (a Câmara Baixa do Parlamento) pela primeira vez desde a independência do país, em 1980. Lovemore Moyo, do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), derrotou o candidato de uma facção dissidente de seu partido, Paul Themba Nyathi, em votação nesta segunda-feira depois que os legisladores eleitos em março tomaram posse em Harare.

BBC Brasil |

Moyo afirmou que as eleições no país trarão uma nova era para a política parlamentar no país. Em uma entrevista à BBC, ele afirmou que o Legislativo não poderá mais ser usado como um mero instrumento para endossar as políticas do presidente Mugabe, que governa o país há 28 anos.

Segundo o político oposicionista do Zimbábue, os parlamentares do MDC vão demonstrar boa vontade para tentar conseguir um resultado positivo nas conversações para compartilhar o poder, em andamento entre Mugabe e o líder do MDC, Morgan Tsvangirai.

Na terça-feira, Mugabe vai abrir formalmente os trabalhos do Parlamento que, pela primeira vez, é praticamente dominado pela oposição. O MDC tem cem cadeiras na Casa da Assembléia; Zanu-PF tem 99; a dissidência do MDC, liderada por Arthur Mutambara, tem dez e há um independente.

No Senado, o Zanu-PF tem 30 cadeiras, o MDC, 24, sua dissidência, seis, há 18 cadeiras para chefes tradicionais, dez para goveradores de províncias e cinco indicados pelo presidente.

Tática fracassada
O partido Zanu-PF, do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, não apresentou candidato para liderar o Parlamento, apoiando Nyathi.

Segundo a correspondente da BBC, Karen Allen, esta foi uma tática do governo para tentar manter o controle do Parlamento, que acabou fracassando.

Moyo foi eleito em votação secreta com 110 votos, contra 98 do adversário.

Tsvangirai se opunha à convocação do Parlamento neste momento, alegando que isto poderia prejudicar as conversações para um governo compartilhado entre Zanu-PF e MDC.

O porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, disse que dois de seus parlamentares foram presos nesta segunda-feira ao chegarem para a cerimônia de posse. Mais tarde, um deles foi libertado.

A oposição diz que vários parlamentares estão sendo perseguidos por uma campanha de violência patrocinada pelo governo.

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