Zimbábue lembra independência imerso em crise

Harare, 18 abr (EFE).- O Zimbábue lembra hoje mais um aniversário de sua independência do Reino Unido, uma comemoração que, segundo a oposição, é a mais triste da história do país, por causa da grave crise política e econômica.

EFE |

O ato principal das celebrações oficiais, em um estádio nos arredores de Harare, será liderado pelo presidente Robert Mugabe, de 84 anos e no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980.

Espera-se que nessa ocasião o governante comente sobre o ponto morto político vivido no país pela falta de informação sobre os resultados das eleições presidenciais de 29 de março.

Apesar de ter divulgado os dados da apuração do pleito parlamentar que ocorreu simultaneamente, a Comissão Eleitoral não informa os resultados das presidenciais, e não diz que pretende anunciá-los.

A independência é comemorada em meio ao aumento da pressão da comunidade internacional para que as autoridades eleitorais divulguem os dados da apuração e evitem uma possível onda de violência.

"Este é o aniversário da independência mais triste", afirmou ontem em Johanesburgo o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, que afirma ter vencido as eleições presidenciais de 29 de março.

O Zimbábue atravessa a crise econômica mais grave de sua história, com uma taxa de desemprego de 80% e uma inflação de 165.000%.

Milhões de pessoas deixaram o país na busca por oportunidades e se mudaram para Moçambique, uma das nações mais pobres do planeta.

"O povo está faminto, há uma crise humanitária com raízes políticas", insistiu Tsvangirai, presidente do Movimento para Mudança Democrática (MDC).

Mugabe, em discurso pronunciado ontem e publicado hoje pelo diário governamental "The Herald", voltou a recorrer ao sentimento nacionalista e atacou de novo o Reino Unido, um país que, segundo o governante, tenta derrubá-lo com o apoio da oposição.

"Não deveríamos baixar a guarda contra o imperialismo, contra o imperialismo britânico, que está tentando tecer clandestinamente seu plano nos dividindo", afirmou Mugabe.

O regime de Mugabe, acusado de violar os direitos humanos e de fraudar as eleições de 2002 e 2005, sustenta que não houve um vencedor absoluto no pleito presidencial de 29 de março, o que levará a disputa ao segundo turno. EFE ag/mh

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