Zimbábue leiloa 300 mil quilates de diamantes oriundos de Chiadzwa

Harare, 7 jan (EFE).- O Zimbábue realizará um leilão público de 300 mil quilates (1 quilate equivale a 200 miligramas) de diamantes oriundos da polêmica região de Chiadzwa, ocupada no ano passado pelo Exército depois de despejar 4,7 mil famílias, informou hoje a imprensa local.

EFE |

Espera-se que o pregão, que começa hoje na capital e terá duração de três dias, conte com compradores da África, Ásia, Europa e dos Estados Unidos.

"Após esta venda inicial ocorrerá outra similar, de outros 300 mil quilates na próxima semana", disse ao jornal oficial "Herald" Robert Mhlanga, presidente de Mbada Mining Limited, uma das companhias que operam na região de Chiadzwa, na província de Manicaland.

Segundo o jornal controlado pelo Governo, o próprio receberá 80% dos lucros do leilão, embora a Corte Suprema tenha dito que a companhia London Stock Exchange tem o direito de reivindicar todos os diamantes extraídos dali.

O Governo do Zimbábue ignorou a sentença e estabeleceu acordos com outras duas empresas mineradoras, anteriormente desconhecidas, em Chiadzwa: Mbada Mining e Canadile Miners Limited.

Em 2006, milhares de zimbabuanos seguiram em direção a Chiadzwa em busca de diamantes, mas o Exército chegou à região em 2008 e expulsou a todos em 2009, causando a morte 200 garimpeiros ilegais, segundo a ONG americana Human Rights Defenders.

A ONG denunciou também torturas e trabalhos forçados aos habitantes das jazidas por parte dos soldados.

No ano passado, o Governo do Zimbábue conseguiu evitar uma sanção por parte do Processo de Kimberley, um sistema internacional de certidão de pedras preciosas, com a condição de que retirasse o Exército da região.

Segundo Mhlanda, os diamantes chegaram a Harare escoltados pela Polícia, "todo o processo de extração, transporte e venda está sendo feito de acordo aos requerimentos do Processo de Kimberley".

O leilão ocorrerá nas instalações da companhia mineira Mbada, no aeroporto internacional da capital. EFE rt/dm

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