Zimbábue lança nota de 100 milhões

HARARE - O Banco Central do Zimbábue lançou nesta quinta-feira novas notas de 50 e 100 milhões para diminuir o uso de papel-moeda causado pela hiperinflação que atinge o país.

Redação com agências internacionais |

Além do lançamento das novas notas, que deve diminuir as filas de saque nos bancos, o governo do Zimbábue também aumentou o limite de saque para 100 milhões por semana.

No mercado de câmbio, 100 milhões de dólares do Zimbábue são equivalentes a apenas R$ 100 (US$ 80).


Novas notas do Zimbábue / AP

Zimbábue vive uma profunda crise econômica, sem provisão de alimentos e outras mercadorias essenciais, mais de 80% de desemprego e uma inflação astronômica, que oficialmente alcança os 231.000.000%.

Surto de cólera

O governo do Zimbábue pediu, nesta quinta-feira, ajuda "urgente" da comunidade internacional para conter o surto de cólera que já matou 565 pessoas nos últimos três meses.

O atual surto de cólera, doença que se transmite através de água contaminada, deve-se ao colapso da rede de águas e esgotos de Harare e à falta de manutenção dos sistemas de distribuição de água potável.

Além disso, Zimbábue sofre uma "uma escassez crítica de recursos no setor sanitário, e os hospitais centrais, literalmente, não estão funcionando", disse ontem o ministro da Saúde Pública, David Parirenyatwa, o que leva muitos pacientes a não receberem tratamento.

"Nosso pessoal está desmotivado e precisamos ajuda para nos assegurarmos de que (os médicos e enfermeiras) voltem a seus postos de trabalho e reativem o sistema", declarou ontem Parirenyatwa em relação a protestos que recentes dos empregados dos hospitais.


População busca água potável nos caminhões das Nações Unidas / AP

A "urgente necessidade" de remédios, comida e de material de trabalho e a falta de água potável levaram o Governo do Zimbábue a pedir 9 milhões de euros para o Ministério da Saúde Pública, e pelo menos outros 3 milhões de euros para comprar produtos químicos para tornar a água potável.

"Temos produtos químicos como para tratar a água durante os próximos três meses", disse ontem à imprensa o ministro de Água e Desenvolvimento de Infra-estruturas, Walter Mzembi, "por isso necessitamos do dinheiro no mais tardar para na próxima segunda-feira", reforçou.

Nações Unidas

O Departamento de Desenvolvimento das Nações Unidas uniu-se ao pedido do Governo do Zimbábue, que pediu uma "resposta coordenada" diante dos problemas econômicos e sociais do país.

"Devemos unir nossos recursos para ver como podemos responder a este estado de emergência", declarou o representante da ONU, Agostinho Zacarias.


A falta de água potável levou centenas à morte no Zimbábue / AP

O surto de cólera no Zimbábue, que começou no início do ano e cresceu em setembro, estendeu-se a nove das dez províncias do país, embora as áreas mais afetadas sejam os subúrbios de Budiriro e Glen View, na capital Harare, e Beitbridge, a cidade na fronteira com a África do Sul.

A distribuição de água potável em Harare voltou na terça-feira, depois de a Autoridade Zimbabuana de Água (Zinwa) precisar interrompê-la durante 24 horas por falta de produtos químicos de purificação.

O "The Herald" citou o porta-voz da Zinwa, Tsungirai Shoriwa, segundo o qual as centrais de bombeamento receberam na última hora da segunda-feira "alguns produtos químicos", o que permitiu retomar a provisão de água potável em algumas áreas da capital.

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