Zimbábue: Governo e oposição formam governo de união

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder do principal partido da oposição, Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, assinaram nesta segunda-feira um acordo tido como histórico na capital do país, Harare, formando um governo de união nacional para pôr fim a uma longa crise política zimbabuana. A assinatura do acordo foi feita em uma cerimônia que contou com a presença de vários líderes africanos, entre 3 mil convidados.

BBC Brasil |

Mugabe continuará como presidente - cargo que ocupa há 28 anos -, e Tsvangirai será o novo primeiro-ministro.

Ambas as partes chegaram a um entendimento na noite de quinta-feira, depois de meses de negociações difíceis mediadas pelo presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.

Também assinou o acordo o líder de uma facção dissidente do MDC, Arthur Mutambara.

Informações que vazaram na semana passada sobre o entendimento alcançado sugerem que Mugabe vai manter o controle das Forças Armadas, mas com poderes reduzidos. O líder oposicionista terá responsabilidades substanciais, entre elas o comando da polícia.

O MDC e a facção dissidente indicarão 16 ministros e o partido Zanu-PF, de Mugabe, indicará 15 ministros.

Segundo o correspondente da BBC em Harare, George Alagiah, o clima entre a população zimbabuana é de alívio, mais do que de alegria.

O acordo desta segunda-feira abre caminho para que doadores internacionais ajudem a reavivar a economia do Zimbábue, que entrou em colapso e enfrenta uma inflação de mais de 11.000.000%.

Doadores
O correspondente da BBC em Johanesburgo, na África do Sul, Allan Little, disse que o trunfo de Tsvangirai é que sozinho ele pode atrair recursos estrangeiros para a reconstrução do país.

Mas Tsvangirai sabe que os países doadores querem ver evidências concretas - e logo - de que o poder realmente já não está mais exclusivamente nas mãos de Robert Mugabe, disse Little.

O representante da União Européia para Política Externa, Javier Solana, disse que a decisão de suspender sanções contra autoridades no Zimbábue foi adiada até outubro.

Solana disse que a União Européia precisa estudar os detalhes do acordo formalizado nesta segunda-feira mas que espera que ele abra "um novo capítulo" para o Zimbábue.

A tensão política no país aumentou após o primeiro turno das eleições presidenciais, em que o MDC disse ter saído vitorioso.

O partido se retirou do segundo turno em 27 de junho, alegando que o governo realizava uma campanha violenta de intimidação contra os seus militantes.

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