Zimbábue forma governo de união nacional depois de um ano de crise

Um novo governo de unidade nacional presta juramento nesta sexta-feira no Zimbábue formando uma frágil união entre velhos adversários, que deverão aprender a colaborar para tirar o país de uma crise política, econômica e humanitária sem precedentes.

AFP |

Morgan Tsvangirai, líder da oposição no Zimbábue, se tornou na quarta-feira o primeiro-ministro de seu arquirrival, o presidente Robert Mugabe, e prometeu "curar a Nação", reconstruir a economia arruinada e acabar com as violências políticas.

O próprio presidente Mugabe, que com quase 85 anos dirige o país com mão-de-ferro desde a independência em 1980, admitiu que a primeira missão do governo será superar a desconfiança acumulada entre o regime e sua ex-oposição.

A onda de violência que tomou conta do país depois das eleições de março deixou mais de 180 mortos. Mugabe acabbou reeleito em junho passado, ao término de uma eleição na qual era o único candidato.

A imprensa estatal informou que os atuais ministros de Mugabe continuarão fazendo parte do gabinete, mas não precisou se conservarão suas pastas.

Inicialmente, o opositor MDC não queria se juntar a esta coalizão, para não correr o risco de ficar subordinado à União nacional africana do Zimbábue-Frente Patriota (Zanu-PF), o partido do presidente.

Diante de seus partidários, Tsvangirai, 56 anos, ressaltou a amplitude da tarefa que espera o novo governo, uma vez que a economia do país está em frangalhos e a população continua profundamente dividida.

Mais da metade da população sofre de fome neste país, outrora próspero. Quase 95% dos zimbabuanos com idade para trabalhar estão desempregados, e apenas 20% das crianças são escolarizadas.

Os hospitais públicos estão fechados, devido à falta de médicos, de enfermeiras, de material e de medicamentos. Uma epidemia de cólera atingiu 70.000 pessoas, matando 3.400 desde agosto.

Para recuperar os serviços de primeira necessidade no país, o primeiro-ministro pretende pagar todos os funcionários públicos - médicos, professores, soldados, policiais - com divisas estrangeiras já em fevereiro.

A moeda nacional, o dólar zimbabuano, não tem nenhuma substância já que é assolado por uma espantosa hiperinflação.

bur/cn/fp

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