O acordo fechado nesta quinta-feira entre o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, abre caminho para que doadores internacionais ajudem a reavivar a economia do país. Desde que o governo de Mugabe começou a confiscar fazendas de propriedade de brancos há oito anos, o país entrou em rápido declínio.

A economia do Zimbábue é hoje a que encolhe mais depressa no mundo, com inflação de mais de 2.000.000%.

O entendimento selado nesta quinta-feira marcará o momento em que a comunidade internacional deverá dar apoio à tentativas de reavivar a economia, em colapso.

Mas apenas o acordo não é suficiente.

Doadores
Representantes de doadores reuniram-se, nos últimos 18 meses, para discutir como reagir.

As reuniões do chamado Grupo Fishmonger - nome de um restaurante na capital, Harare, onde as discussões iniciais foram realizadas - estabeleceram critérios para a sua participação.

Os doadores esperam duas iniciativas que consideram chave: que o novo governo suspenda as restrições à distribuição de ajuda humanitária por todo o país e que as autoridades busquem o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional para ajudá-las a estabilizar a economia.

Quando isto for feito, os doadores planejam apresentar um pacote de ajuda no valor de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão por ano.

Isto vai representar um aumento de três a quatro vezes no montante em assistência que o Zimbábue recebe atualmente.

A Grã-Bretanha, de quem o Zimbábue foi colônia, planeja dobrar imediatamente sua ajuda, que atualmente é de US$ 90 milhões por ano.

Celeiro de novo?
Os doadores estão otimistas de que o Zimbábue vá reagir rapidamente.

A infraestrutura do país - estradas, represas e aeroportos - estão, de maneira geral, em bom estado.

O país possui também um grande número de pessoas com bom nível de instrução, muitas das quais deverão voltar para sua terra natal depois de viver na África do Sul, Botsuana e Zâmbia.

Dentro de cinco a dez anos, o país deverá estar recuperado. Mas haverá ainda questões difíceis para resolver.

Em especial, o que fazer em relação à tomada de terras de fazendeiros brancos.

Os doadores dizem que isso terá que ser resolvido pelos próprios zimbabuanos, embora recursos financeiros estrangeiros possam facilitar o processo.

O Movimento para Mudança Democrática (MDC), de oposição, planeja estabelecer uma comissão para reclamação da terra.

O que está claro é quem, provavelmente, nem todos os brancos vão conseguir de volta a posse de suas terras.

Ao mesmo tempo, a elite do partido no poder, o Zanu-PF, a quem foram oferecidas fazendas, não terá autorização de manter todas as terras que tomou.

Os doadores acreditam que a chave é que só quando a propriedade de terras for garantida é que alguém terá disposição de colocar dinheiro na agricultura - um setor da economia que fez do país, no passado, o celeiro do sul da África.

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