Zimbábue diz estar perto de divulgar resultado eleitoral

O presidente da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, na sigla em inglês), George Chiweshe, disse que espera divulgar os resultados da eleição presidencial, realizada há um mês, no início da semana que vem. Em uma entrevista coletiva na capital zimbabuana, Harare, ele afirmou que os dois principais candidatos - o atual presidente, Robert Mugabe, e seu rival Morgan Tsvangirai - serão convidados a verificar os resultados possivelmente já na segunda-feira.

BBC Brasil |

Chiweshe disse que não poderia especificar quanto tempo este processo de confirmação tardaria, até que um vencedor seja anunciado.

"Cada parte trará seus próprios números e compararão suas notas na presença de observadores. Se todos chegarem a um único e mesmo número, é possível que este seja o resultado aceitável", disse Chiweshe.

Quatro semanas se passaram desde que os eleitores do Zimbábue foram às urnas. O partido da oposição, Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), diz que seu candidato, Morgan Tsvangirai, venceu as eleições, mas o governo questiona.

Desde então, o país tem vivido incerteza política, medo e violência, grande parte atribuída a uma mão-de-ferro do presidente Mugabe contra seus críticos. O governo nega.

Médicos dizem que apenas nos últimos três dias mais de 60 pessoas foram tratadas após ataques por membros das forças de segurança.

Um analista no Zimbábue disse que os ataques têm sido brutais e intencionais. Segundo ele, muitas das vítimas estão em áreas controladas pelo governo, como Mashonaland.

Relatos da cidade de Bulawayo dão conta de que igrejas estão abrindo suas portas para abrigar as vítimas da violência e dos abusos.

Interferência
Neste sábado, o presidente da ZEC negou que a demora na divulgação dos resultados se deva a uma interferência do presidente Mugabe.

"A Comissão deseja reiterar que é um órgão eleitoral independente, imparcial e transparente. Processa e prescreve a lei eleitoral. Esses processos requerem que todas as partes interessadas sejam envolvidas", declarou George Chiweshe.

Em uma entrevista por telefone à BBC - que está proibida de entrar no país - o ministro de Informação e Publicidade zimbabuano, Sikhanyiso Ndlovu, disse que "interferência" é o que os países e a mídia ocidental estão promovendo no Zimbábue.

"É uma infelicidade que vocês, a imprensa ocidental e a mídia ocidental, estejam tirando conclusões apressadas, e fazendo anúncios antes da comissão eleitoral. O Zimbábue é um Estado soberano", disse ele. "Não vamos tolerar sua interferência."
Uma recontagem oficial de votos confirmou que o partido do presidente Robert Mugabe, o Zanu-PF, perdeu pela primeira o controle do Parlamento do país.

Segundo o anúncio do presidente da ZEC, a recontagem deixou intacto o balanço de forças favorável à oposição em 18 das 23 cadeiras que estavam sendo disputadas entre os dois principais partidos zimbabuanos.

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