Zimbábue confirma histórica derrota do partido de Mugabe

A derrota histórica do partido do presidente Robert Mugabe, no poder há 28 anos, foi confirmada neste sábado pela Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, em inglês), que espera concluir até segunda-feira a contagem dos votos das eleições presidenciais de 29 de março.

AFP |

Em 2 de abril, a ZEC havia atribuído 109 cadeiras à oposição contra 97 para a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF). Porém, alegando irregularidades, ordenou em seguida uma nova contagem em 23 dos 210 distritos do país.

A recontagem já terminou em 18 distritos, indicou neste sábado o presidente da ZEC, George Chiweshe, acrescentando que não havia "nenhuma grande mudança". Outra fonte confirmou, sem querer se identificar, que a nova apuração "não alterou nada em relação aos resultados precedentes".

Mesmo que o Zanu-FP vença nos cinco distritos restantes, não está mais em condições de recuperar a maioria na Câmara, o que ocorria desde a independência o país em 1980.

"Estamos felizes de constatar a transparência da contagem. Isso prova que a ZEC não é controlada pelo governo ou pelo Zanu-FP", comentou Bright Matonga, vice-ministro da Informação.

A oposição, que considera que o ZEC é controlado pelo governo, havia se recusado a participar da nova contagem, considerando que se tratava de uma operação para tentar tirar a vitória das legislativas dos dissidentes.

Em relação à eleição presidencial, realizada no mesmo dia, o presidente Robert Mugabe, de 84 anos, também não deve ser bem sucedido.

O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), reivindicou a vitória no primeiro turno. De acordo com o Zanu-FP, nenhum candidato ganhou a maioria absoluta.

A dúvida, entretanto, deve acabar em breve. "Esperamos que o processo de contagem seja concluído até segunda-feira 28 de abril", declarou neste sábado George Chiweshe.

A ZEC convidará, em seguida, os candidatos para verificarem os números, "o que permitirá o anúncio dos resultados das eleições presidenciais", acrescentou o presidente da comissão.

A espera deste resultado alimentou a tensão no país. Neste sábado, a oposição afirmou que pelo menos 15 dos seus partidários foram mortos desde as eleições.

"E o massacre foi certamente pior, porque o silêncio se apoderou das aldeias", declarou Chamisa à AFP.

O governo ironizou as supostas mortes, afirmando que elas só existem "na imaginação" da oposição.

Segundo a polícia, 215 pessoas foram presas durante uma operação na sexta-feira na sede do MDC em Harare.

"Elas serão interrogadas sobre sua eventual participação em atividades criminosas de conotação política através do país", indicou o porta-voz da polícia nacional, Wayne Bvudzijena, citado pelo jornal The Herald.

Cada vez mais isolado no plano internacional, Mugabe, que aspira um sexto mandato no país, advertiu na sexta-feira contra a intergerência estrangeira.

As declarações da subsecretária de Estado americana para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, que parabenizou a "vitória clara" da oposição nas presidenciais, foram tachadas de "falsas, incendiárias e irresponsáveis" pelo porta-voz do partido de Mugabe, Patrick Chinamasa.

"Frazer não tem nenhuma autoridade moral para fazer anúncios sem fundamento sobre nosso processo eleitoral", acusou Chinamasa.

A subsecretária de Estado, em um giro atualmente pelo sul do continente africano, deve se encontrar neste fim de semana, em Lukasa, com o presidente de Zâmbia, Levy Mwanawasa, também presidente da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Em Londres, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu neste sábado que a comunidade internacional intensifique a pressão sobre o regime de Mugabe e denunciou o "clima de medo" no Zimbábue.

sn-chp/fb/fp

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