Zimbábue: Chefe da Força Aérea sobrevive a tentativa de assassinato

Harare, 16 dez (EFE).- O Governo do Zimbábue afirmou hoje que o chefe da Força Aérea do país, Perrance Shiri, sobreviveu no último sábado a uma tentativa de assassinato quando um homem armado abriu fogo contra ele enquanto dirigia em direção a sua residência.

EFE |

Shiri, com um ferimento de bala em sua mão direita, está internado no hospital de Harare onde recebe tratamento, embora sua condição seja estável, diz um comunicado do ministro de Assuntos Exteriores Kembo Mohadi.

"O ataque ao tenente general do Exército do Ar parece ser a última conseqüência de uma série de ataques terroristas contra personagens proeminentes e oficiais do Governo" que pretendem causar instabilidade no Zimbábue, declarou Mohadi na nota.

As declarações do ministro de Assuntos Exteriores foram dadas após o Governo anunciar ontem que tem provas de que Botsuana está treinando insurgentes do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), que pretenderiam derrubar o presidente do país, Robert Mugabe.

O jornal estatal "The Herald" publicou hoje uma lista de supostos ataques terroristas realizados desde agosto, entre os quais estão três ações contra delegacias da capital, apesar de mais tarde ter se demonstrado que os autores foram oficiais de Polícia descontentes com suas condições trabalhistas.

O líder da facção majoritária do MDC, Morgan Tsvangirai, defendeu ontem seu grupo afirmando que alguns de ativistas foram seqüestrados e posteriormente torturados para serem obrigados a confessar que tinham sido treinados para executar ataques terroristas.

O MDC diz acreditar que as autoridades tentarão impor um estado de emergência nacional fundamentado nas supostas ações violentas.

Enquanto isto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, instou ontem os países africanos a aumentarem a pressão sobre Mugabe para que coloque em andamento as negociações com a oposição para formar um Governo de unidade.

Segundo Ban, o ponto morto no qual está o processo político contribuiu para a atual crise humanitária que atinge o Zimbábue, onde cerca de 1.000 pessoas morreram por causa de um surto de cólera que o Governo foi incapaz de controlar.

Mugabe assinou um acordo para formar um Governo conjunto com o MDC no dia 15 de setembro após as conflituosas eleições de junho, mas três meses depois as partes envolvidas não foram capazes de determinar a divisão dos ministérios chaves.

O Governo de Harare está cada vez mais irritado com a pressão internacional que está sendo exercida sobre o Presidente e seu Governo.

"O que está acontecendo no Zimbábue não se limita a uma crise eleitoral", afirma o jornal governamental "The Herald". "Isto é a guerra", afirma. EFE rt/fal

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