Zilda Arns morre em terremoto no Haiti

A médica sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, morreu no terremoto do Haiti. A informação foi confirmada pelo gabinete do sobrinho de Zilda Arns, o senador Flávio José Arns, na manhã desta quarta-feira.

Gabriela Dobner, iG São Paulo |

Irmã do cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, Zilda estava no Haiti como parte de uma série de visitas a países da região e teria morrido após escombros caírem sobre ela enquanto caminhava pelas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti. Zilda estava acompanhada de um membro do Exército brasileiro ¿ que não foi identificado ¿ e teria morrido imediatamente.

Segundo informações do gabinete, a médica, que tinha 75 anos, chegou ao Haiti na segunda-feira e realizaria hoje, às 10h, uma palestra sobre a Pastoral da Criança na Conferência Nacional dos Religiosos do Caribe. Na quinta-feira, teria um encontro com representantes de ONGs. A viagem de volta ao Brasil estava prevista para sexta-feira.

Em 27 anos de trabalho, a Pastoral conta com a ajuda de mais de 260 mil voluntários e atende quase 2 milhões de gestantes e crianças menores de seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, em 4.063 municípios brasileiros.

Dom Paulo Evaristo Arns foi avisado da morte da irmã por telefone pelo chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. "Ela morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou", comentou o cardeal .

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também  lamentou a morte de Zilda Arns, segundo o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. "O presidente estava absolutamente chocado, lamentou muito. (Zilda) é uma pessoa de grande projeção no País", afirmou Amorim.

AE
Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, morre aos 73 anos

Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, morre aos 75 anos

Perfil

Nascida em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha (Santa Catarina), Zilda Arns Neumann, era médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Zilda também era representante titular da CNBB, do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Ela morava em Curitiba, no Paraná, e deixa cinco filhos e dez netos. Escolheu a medicina como missão e enveredou pelos caminhos da saúde pública. Sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba, e posteriormente como diretora de Saúde Materno-Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico diversas especializações como Saúde Pública, pela Universidade de São Paulo (USP) e Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS).

Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), criando um método
próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, a Zilda Arns criou a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majela Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, que na época era Arcebispo de Londrina.

Em 2004, Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão semelhante, fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários.

Pelo seu trabalho na área social, Zilda Arns recebeu condecorações tais como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation, em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997); entre outros prêmios.

(*colaborou Camila Nascimento, iG São Paulo)

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