Zelayistas voltam às ruas em Honduras

Os seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ocuparam as ruas de Tegucigalpa nesta quarta-feira, para exigir sua restituição, apesar da advertência da polícia, que prometeu reprimir as manifestações.

AFP |

Ao menos 10 mil integrantes da chamada Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado saíram da Universidade Pedagógica Nacional, local de concentração de manifestantes vindos das províncias, e seguiram para o centro de Tegucigalpa, acompanhados de perto pela polícia.

Dezenas de policiais e militares ocuparam pontos estratégicos no bulevar Centroamérica, onde na véspera manifestantes queimaram um ônibus e a lanchonete 'Popeyes'.

A polícia advertiu que agirá se houver desordem ou ataques ao comércio.

Segundo o líder operário Israel Salinas, "o incêndio do ônibus e da 'Popeyes' foi obra de infiltrados da polícia, algo difícil de evitar em uma mobilização de 30 mil pessoas".

"É coisa de infiltrados. Nós andamos de forma pacífica desde o primeiro dia, há 46 dias", destacou outro líder da Frente, Rasel Tomé.

"Não vamos provocar, não vamos confrontar os policiais. Esta é uma manifestação pacífica, não queremos bater em um burro armado", disse à multidão Juan Barahona, um dos principais líderes da Frente.

A seleção de Honduras enfrenta nesta quarta-feira a Costa Rica, pelas eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo de 2010, em San Pedro Sula, e segundo a imprensa local, os "zelayistas" preparam um grande protesto na zona do Estádio Olímpico Metropolitano.

A polícia já mobilizou 1.200 agentes para acompanhar a partida.

Na terça-feira, o governo interino hondurenho, liderado por Roberto Micheletti, restabeleceu o toque de recolher em Tegucigalpa, decretado após o golpe de Estado, em 28 de junho, mas suspenso desde o dia 31 de julho.

A decisão ocorreu após o ataque a várias lanchonetes na rua Centroamérica.

Ainda na terça-feira, um policial de trânsito atirou na perna de um manifestante que viajava em uma motocicleta, o que provocou a reação de um grupo de "zelayistas", que incendiou um ônibus urbano.

afp/LR

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