Zelayistas mantêm protestos, mas tensão diminui em Honduras

Germán Reyes. Tegucigalpa, 29 set (EFE).- A tensão diminuiu hoje em Honduras, em um dia em que os seguidores do presidente deposto Manuel Zelaya voltaram a se concentrar, sempre cercados por policiais, e fizeram novas chamadas ao diálogo.

EFE |

No dia em que Tegucigalpa completava 431 anos, repleto de mensagens contra o golpe de Estado e sem atos de festa pela data, os seguidores de Zelaya voltaram a se concentrar no que qualificaram como um "ato de desafio" ao decreto de estado de sítio do Governo golpista.

Da mesma forma que ontem, embora em um clima de menos tensão, centenas de simpatizantes de Zelaya estiveram nos arredores da Universidade Pedagógica, principal ponto de partida das marchas do movimento popular contra o golpe de Estado, rodeados por um forte cerco policial.

O dirigente popular Juan Barahona, um dos líderes da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, indicou à Agência Efe que "sair às ruas, onde quer que seja, é hoje um desafio ao decreto".

"Vamos continuar a resistência saindo às ruas, porque o que pretendem é que não saiamos e não vão conseguir", disse.

O Governo Roberto Micheletti suspendeu por 45 dias as garantias constitucionais com um decreto que restringe as liberdades de circulação e expressão, e proíbe as reuniões públicas, entre outras medidas.

Sobre a suspensão de garantias, Zelaya disse hoje à Efe que foi uma "armadilha" do regime interino para fechar dois meios de comunicação, "Rádio Globo" e "Canal 36", que foram críticos a Roberto Micheletti.

"É uma armadilha, esse decreto foi feito para fechar a imprensa e já fecharam", afirmou Zelaya por telefone à Agência Efe, ao ressaltar que para reprimir o povo o Governo não precisou de decretos.

Para Zelaya, Honduras já vive "95 dias de estado de sítio".

O regime de Micheletti fechou as instalações desses dois meios, em uma ação que rapidamente ganhou a reprovação de diversos setores, enquanto o Parlamento pediu na segunda-feira a derrogação do decreto.

Zelaya assinalou que com o fechamento dos "únicos dois meios opositores ao regime" a "resistência pacífica de Honduras" foi silenciada.

"Nossa posição é de que o povo hondurenho deve se organizar mais uma vez para restituir a frequência da 'Rádio Globo' e do 'Canal 36'", disse Zelaya, ao assinalar que a violação da liberdade de expressão deve ser alvo de "uma condenação internacional" Também hoje o embaixador dos Estados Unidos em Tegucigalpa, Hugo Llorens, pediu ao Governo de Honduras que restabeleça "imediatamente" as garantias constitucionais e criticou que "instiguem a violência" porque prejudicam o povo hondurenho.

Llorens enfatizou que seu Governo é a favor de uma solução "entre os hondurenhos", dentro da mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para superar a crise causada pelo golpe de Estado de 28 de junho contra Zelaya, que está na embaixada do Brasil desde o dia 21.

"Apoiamos mais do que nada que se restaure a democracia em Honduras, que se restaure o Governo legítimo", assim como o princípio de respeito aos direitos humanos, apontou.

Já o chefe do Estado-Maior hondurenho, general Romeo Vásquez, chamado pelos Zelayistas de "golpista", afirmou que as Forças Armadas recomendam o diálogo para superar a crise e assinalou que foram tomadas medidas necessárias para evitar que o país seja ainda mais prejudicado.

"O diálogo deve prevalecer o tempo todo, não somente em um momento determinado (...), é parte de todo um processo e isso é o que sempre analisamos e recomendamos a nossos superiores", afirmou Romeo Vásquez à imprensa. EFE gr/rr

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