Zelaya volta à Nicarágua depois de entrar rapidamente em Honduras

Em um ato simbólico, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desafiou a determinação do governo interino que proibiu seu retorno e ao país e entrou momentaneamente em solo hondurenho nesta sexta-feira. Cercado por dezenas de simpatizantes e representantes da imprensa, Zelaya cruzou a fronteira vindo da Nicarágua e ficou apenas alguns minutos no país.

BBC Brasil |

Ele não foi detido como havia ameaçado o governo militar interino liderado pro Roberto Micheletti.

"Não tenho medo quando trabalho por uma finalidade nobre", disse ele após cruzar a fronteira.

"Já estou em solo hondurenho mas não quero confrontar os militares. Busco um arranjo, um diálogo (com as autoridades vigentes)", afirmou.

Ao retornar à Nicarágua após a curta permanência em Honduras, Zelaya disse que não permaneceu em solo hondurenho para "evitar um banho de sangue" e que estava disposto a negociar com o governo interino.

'Vergonha'
Apesar disso, Zelaya disse que Micheletti deveria abandonar não apenas o governo como também "a presidência do partido Liberal", organização da qual também faz parte e classificou de "vergonha" que ele tenha participado do que chamou de "um golpe de Estado".

Há relatos de que pelo menos dois simpatizantes de Zelaya ficaram feridos em choques com forças de segurança nas imediações da fronteira.

Logo após a entrada do presidente em Honduras, o ministério das Relações Exteriores do governo interino divulgou um comunicado confirmando que Zelaya seria detido se permanecesse em território hondurenho.

Críticas dos EUA
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, classificou o ato de Zelaya como "temerário".

"Temos pedido a todas as partes envolvidas que evitem qualquer ato provocativo que possa gerar violência. O esforço do presidente Zelaya para chegar à fronteira é temerário", disse ela.

Essa foi a segunda tentativa de Zelaya de retornar a Honduras desde a sua deposição, em 28 de junho. No último dia 5 de julho, seu retorno foi frustrado após o avião em que estava ter sido impedido de pousar no aeroporto de Tegucigalpa, a capital hondurenha.

A crise política eclodiu depois que Zelaya tentou fazer uma consulta pública para perguntar se os hondurenhos apoiavam suas medidas para mudar a Constituição.

A oposição era contra a proposta de Zelaya de acabar com o atual limite de apenas um mandato por presidente, o que poderia abrir caminho para uma reeleição do atual presidente deposto.

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