Zelaya volta a Honduras e se abriga na embaixada do Brasil

TEGUCIGALPA - Quase três meses após sua deposição, o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, voltou à capital do país, Tegucigalpa, nesta segunda-feira, e se refugiou na embaixada do Brasil.

Redação com agências internacionais |

AFP
Zelaya acena para apoiadores após chegar à embaixada brasileira

Zelaya acena para apoiadores após chegar à embaixada brasileira

Zelaya agradeceu o governo do Brasil pelo respaldo dado a ele e conclamou a população hondurenha a se reunir em frente à embaixada. Posteriormente, falando à rede Telesur, disse aguardar um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viaja a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Em entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse ter conversado diretamente com Zelaya por telefone. Segundo ele, o Brasil espera que a volta do presidente deposto a Tegucigalpa represente um novo estágio nas negociações com o governo interino.

Amorim afirmou que o Brasil "não teve nenhuma interferência" nos fatos que levaram à presença de Zelaya em sua embaixada, limitando-se a conceder permissão para que ele entrasse no prédio, algumas horas antes de sua chegada.

"O presidente disse que chegou a Honduras por meios próprios e pacíficos", indicou Amorim. "Declarou sua intenção de iniciar um diálogo com as forças políticas para que se possa chegar a uma solução rápida", acrescentou.

Amorim disse ter se comunicado com o secretário-geral da OEA (José Miguel Insulza) e com o governo americano para assegurar que não exista nenhum tipo de ameaça contra a segurança de Zelaya nem contra o pessoal da embaixada brasileira.

O Brasil rompeu as relações diplomáticas com Honduras depois do golpe de Estado e carece de contatos formais com o governo de fato.

A princípio acreditava-se que o líder hondurenho estivesse na sede da ONU em Tegucigalpa, onde, do lado de fora, milhares de manifestantes esperavam por sua aparição.

Mais tarde, porém, o embaixador que representa o governo deposto nos Estados Unidos, Enrique Reina, negou que ele estivesse no prédio. A representante da ONU em Tegucigalpa, Rebeca Arias, também desmentiu a informação.

Assessores de Zelaya afirmaram à BBC Brasil que a operação que permitiu sua volta teria sido realizada com a ajuda da ONU.


Apoiadores de Zelaya se aglomeram em frente ao prédio da ONU em Tegucigalpa / AFP

"Chamado"

Em entrevista por telefone ao canal estatal venezuelano Telesur, Zelaya disse que voltou a seu país "atendendo a um chamado do povo hondurenho".

O presidente eleito disse que ainda está "fazendo gestões" e que dará início a um diálogo nacional e internacional que permita a volta da institucionalidade no país. "O propósito (do retorno) é que volte a paz e a tranquilidade depois de 86 dias de resistência desse povo hondurenho", disse.

O líder do governo interino, Roberto Micheletti, no entanto, negou que Zelaya esteja em Honduras e qualificou a notícia do regresso do presidente eleito como um "terrorismo midiático". "É terrorismo", disse a um grupo de jornalistas.

Em transmissão ao vivo pelo canal estatal Telesur, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou a notícia, ao comentar que o hondurenho fez uma viagem de dois dias "por terra" até chegar à capital Tegucigalpa.

(Com informações de Ansa, AFP e BBC Brasil)

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