Zelaya volta à fronteira com Honduras e oposição nicaraguense pede expulsão

Las Manos (Nicarágua), 25 jul (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, retornou hoje à localidade de Las Manos, no lado nicaraguense da fronteira, pelo segundo dia, na tentativa de entrar em seu país para retomar o poder, enquanto a oposição na Nicarágua começa a falar de expulsá-lo de seu território.

EFE |

Zelaya chegou a Las Manos, procedente do município nicaraguense de Ocotal, na província de Nova Segóvia, a 225 quilômetros ao norte de Manágua, onde passou a noite após fracassar pela segunda vez na tentativa de entrar no país, depois do golpe militar do dia 28 de junho, segundo a Agência Efe.

O governante deposto, que é acompanhado pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, seus colaboradores mais próximos e centenas de seguidores, chegou à fronteira com uma camisa branca, seu habitual chapéu de vaqueiro e um megafone na mão.

"Fora (Roberto) Micheletti, fora Micheletti", gritava Zelaya, eufórico, pelo megafone, enquanto era acompanhado por seus seguidores.

Zelaya anunciou que montará acampamentos em Las Manos, à espera de seus compatriotas e sua família, antes de retornar a Honduras.

"Vamos montar acampamentos hoje aqui, com água e comida. E aqui vamos estar hoje à tarde, hoje à noite, amanhã de manhã, esperando os amigos e compatriotas que vêm (de Honduras) e eu esperando a minha família", afirmou.

Além disso, disse que organizará um movimento, integrado por organizações sociais e populares, camponeses, indígenas, entre outros, que chegará a Las Manos, procedente de Honduras, para levá-lo de volta a seu país.

Zelaya disse que se manterão "firmes" e que os golpistas não os vencerão, porque "o povo hondurenho não se humilha diante de ninguém, nem pode ser vencido, nem diante de fuzis, nem de nenhum ditador".

"Nunca vamos aceitar um presidente imposto pelos militares. Não aceitamos um presidente nomeado pelo Parlamento", em alusão a Micheletti, nomeado líder pelo Congresso.

Seus seguidores gritavam palavras de ordem como: "O povo unido jamais será vencido", "Zelaya aguenta, que o povo se levanta"; "Micheletti bode, vamos te engavetar" e "Mel (Zelaya), amigo, o povo está contigo".

Zelaya, que retornou ao município de Ocotal, disse que seus parceiros permanecerão nos acampamentos em Las Manos, à espera de mais seguidores, para empreender seu retorno a Honduras.

"Os senhores acreditam em Deus, têm fé em Deus, acreditam no povo, acreditam que o povo existe? Então saibam que a vitória é nossa", afirmou.

O presidente deposto, que pediu aos golpistas que voltem para suas casas, anunciou a organização de um "processo de resistência contra o golpe e de uma força ideológica e política, diferentes das outras", a favor do povo.

O lado hondurenho da fronteira comum está ocupado por membros do Exército e da Polícia de Honduras.

A chegada de Zelaya na fronteira provocou a ampliação do novo toque de recolher na zona fronteiriça, das 18h de hoje às 6h de amanhã, no horário local.

As autoridades hondurenhas também reiteraram que se Zelaya entrar em Honduras, será detido.

O líder deposto denunciou hoje que os militares de Honduras mantêm sua esposa, Xiomara Castro de Zelaya, e sua família retidas, no departamento do Paraíso, na fronteira com a Nicarágua, onde hoje foi encontrado morto um jovem suposto seguidor de Zelaya.

Já a oposição nicaraguense começa a falar de expulsá-lo do país, onde se encontra desde o dia 16 de julho.

A opositora Bancada Democrática Nicaraguense (BDN) reafirmou hoje que apresentará uma resolução à Assembleia Nocional para exigir a expulsão de Zelaya.

"Vamos pedir oficialmente a saída de Zelaya da Nicarágua ou que ele peça o asilo correspondente, que tem regras bem claras no direito internacional", disse à imprensa o porta-voz do partido Movimento Vamos com Eduardo (VCE), Eliseo Núñez Morales, integrante da BDN.

A BDN-liberal considera que Zelaya utilizou solo nicaraguense para criar um conflito em Honduras. EFE lfp/pd

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