Zelaya visita o México e obtém apoio de Calderón

Alberto Cabezas. México, 4 ago (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, obteve hoje no México o apoio do chefe de Estado local, Felipe Calderón, ao plano elaborado pelo governante da Costa Rica, Óscar Arias, e anunciou que continuará com ações de resistência pacífica enquanto luta por sua restituição no poder.

EFE |

Durante uma entrevista coletiva concedida junto com Calderón na residência presidencial mexicana, Zelaya disse que sua recondução à Presidência "é uma condição 'sine qua non' (indispensável) para a paz em Honduras".

O governante deposto, que considerou como "fracassado" o plano de Arias, esclareceu que não está disposto "a fazer um jogo diplomático fora de Honduras com o único fim de estender o processo de reconstituição da democracia no país".

Além de se mostrar a favor dos pontos do plano de Arias relativos à formação de "um Governo de união nacional integrado por diferentes setores do país" e à aplicação de uma anistia política, embora não para delitos penais ou civis, Zelaya exigiu que os hondurenhos estejam presentes em "todos os processos de transformação".

O líder deposto lembrou que o povo de Honduras "tem direito à insurreição para retomar a ordem democrática", mas sustentou que isso não deve desembocar em violência.

Zelaya defendeu sua decisão de se instalar na cidade nicaraguense de Ocotal, na fronteira com Honduras, um gesto que "foi simbólico para demonstrar coerência nas reivindicações" que expôs.

"Minha proximidade da fronteira com Honduras, independentemente dos que estão falando de questões bélicas, que são falsas, foi essencial para que pudesse estreitar laços com minha família e poder me ligar um pouco mais à minha terra", sustentou.

Zelaya insistiu em que não recorrerá à violência, porque esta é "a forma mais incivilizada de resolver os problemas" e qualquer golpe de estado militar, algo "injustificável".

"Minha posição foi que não se responda com violência e barbárie, como eles estão fazendo conosco", acrescentou.

O presidente deposto disse que seguirá com sua "resistência pacífica" e com sua ofensiva diplomática para voltar ao poder, lutando pela democracia direta enquanto tenha "um fio de vida".

Para isso, disse ele, é preciso que "os descalços, os descamisados, os sem sapatos, os sem trabalho, os que não têm terras" comecem de uma vez a ter voz pública.

Por sua vez, Calderón reivindicou que o novo Governo de Honduras, comandado por Roberto Micheletti, aceite o plano de Arias e se comprometa a apoiar esse processo "com firmeza".

"Hoje e sempre, rejeitamos de maneira enérgica qualquer tentativa de voltar ao passado autoritário que tanto dano fez a nossas nações", disse.

O presidente mexicano afirmou que "a democracia é o único caminho para o progresso dos povos" e, por isso, manifestou seu "pleno respaldo a sua restituição e pronta pacificação" de Honduras.

"Exigimos que o grupo no poder de fato em Honduras aceite as condições do Plano Arias, para que se restabeleça imediatamente a legalidade e a constitucionalidade", acrescentou.

Calderón também disse que o México estaria disposto a contribuir no caso de a Organização dos Estados Americanos (OEA) decidir pelo envio de uma missão ministerial a Honduras para tentar restabelecer a ordem constitucional no país.

Ainda hoje, Zelaya participará de uma nova entrevista coletiva na Secretaria de Relações Exteriores mexicana. Amanhã, ele deve receber as chaves da Cidade do México das mãos do prefeito da cidade, Marcelo Ebrard.

Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Zelaya a visitar Brasília na semana que vem, possivelmente no dia 12, informaram porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores consultados pela Agência Efe. EFE act/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG