Céline Aemisegger. Washington, 7 jul (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, aceitou hoje a mediação do chefe de Estado da Costa Rica, Óscar Arias, e disse que não se trata de negociações, mas de uma plataforma de retirada para os golpistas e sua recondução ao cargo.

"Aceitamos que o presidente Óscar Arias seja o mediador que possa encontrar rapidamente a execução da Carta Democrática Interamericana e ao mesmo tempo as resoluções da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU", disse Zelaya, após a reunião que teve com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

O líder deposto esteve acompanhado por sua chanceler, Patricia Rodas, e o ex-embaixador de Honduras na OEA, Carlos Sosa.

No entanto, Zelaya quis deixar claro que "não estamos fazendo uma negociação. Há coisas que não são negociáveis. A restituição do sistema presidencial em Honduras não é um assunto que está em negociação em nenhum lugar, nem na Carta (Democrática) da OEA, nem nas resoluções do organismo, nem nas da ONU", disse.

O presidente deposto insistiu em que, neste sentido, não vai trair seus princípios e nem os do povo que está lutando na rua.

Zelaya explicou que viajará amanhã para a Costa Rica, onde chegará entre as 16h e 17h locais.

Nas conversas com Arias e com o novo presidente hondurenho, Roberto Micheletti, Zelaya defenderá que foi eleito por quatro anos e que seu mandato termina em 27 de janeiro de 2010, segundo explicou o próprio em entrevista coletiva na embaixada de Honduras em Washington.

"Não vou ficar nem um dia a mais no Governo, mas nem um dia menos", afirmou, embora tenha sido ambíguo quando sugeriu que poderia estar aberto à realização de eleições antecipadas.

Zelaya afirmou que não tem nenhuma objeção a esta proposta, mas insistiu em que o Governo de Micheletti não está legitimado para convocar eleições.

"Se querem fazer eleições amanhã, podem fazer. Não tenho nenhuma objeção, mas o Governo de fato, usando a força, não legitima um processo eleitoral e sim o desfigura", argumentou o chefe de Estado deposto.

Neste contexto, destacou que o "único Governo que pode legitimar eleições é o que foi eleito pela vontade do povo".

Zelaya se mostrou muito confiante em que será restituído como presidente de Honduras e em poder retornar em breve a seu país. Ele disse também que a mediação mostrará "qual será o destino dos golpistas", mas não quis comentar uma possível anistia.

"Não posso antecipar aspectos desta natureza porque estamos falando de Justiça, de leis e de Direito Internacional", respondeu.

Zelaya considerou sua reunião com Hillary como "satisfatória e muito importante", porque transmite a mensagem "muito clara" de apoio ao Governo "legítimo que foi violentamente derrubado".

Uma amostra deste respaldo é o fato de que Zelaya conseguiu que o Departamento de Estado americano notifique o embaixador de Honduras, Roberto Flores, do fim de seu papel de representação perante à Casa Branca.

O novo embaixador será o secretário privado de Zelaya, Eduardo Enrique Reina, quem chegará nesta sexta-feira a Washington.

Hillary conversou com a imprensa depois de se reunir com Zelaya e mostrou seu apoio à mediação com a esperança de que "a ordem democrática constitucional volte no final do processo", mas não falou explicitamente sobre a restituição do governante deposto.

"Os termos exatos, os detalhes disto, deixaremos nas mãos das partes, como considero ser conveniente agora", disse. EFE cae/bba

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