Zelaya vê guerra civil em Honduras; mediador busca ajuda

Por Juana Casas SAN JOSÉ (Reuters) - A Costa Rica busca na terça-feira ajuda diplomática para um acordo que ponha fim à crise política em Honduras com a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya, que ameaça voltar ao país e liderar sua facção numa guerra civil.

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Zelaya, exilado na Nicarágua desde o golpe de 28 de junho, prometeu voltar a Honduras "a partir de quarta-feira", apesar das ameaças do presidente interino, Roberto Micheletti, de prendê-lo por violações à Constituição -- como ao tentar promover uma consulta popular para permitir sua reeleição.

A comunidade internacional pressiona Micheletti a entregar o poder, mas teme que a volta precipitada de Zelaya provoque um banho de sangue no país. Em 5 de julho, um homem morreu em confrontos ocorridos quando o Exército impediu o pouso de um avião que transportava Zelaya.

Uma fonte do governo costa-riquenho disse à Reuters, sob anonimato, que Arias "manteve conversas de alto nível, em nível regional, de Washington a Santiago do Chile, e está claro que estão buscando exercer pressão sobre Micheletti".

Zelaya insistiu que voltará a Honduras enquanto ainda transcorre o prazo de 72 horas pedido pelo mediador Arias para encontrar uma saída para a crise, a pior das últimas duas décadas na América Central.

Zelaya, um pecuarista que despertou a antipatia de empresários e políticos por sua aproximação com o venezuelano Hugo Chávez, disse que Honduras já vive uma guerra civil, apesar do caráter pacífico da maioria dos protestos até agora.

"Qualquer um que esteja em Honduras pode ver que já começou esse enfrentamento, essa guerra civil", disse Zelaya.

Micheletti, com apoio da Corte Suprema e do Congresso, disse que poderia antecipar as eleições de novembro, mas insistiu na sua recusa em restituir Zelaya.

Ampliando o isolamento internacional ao novo governo, os Estados Unidos ameaçaram cortar a assistência financeira a Honduras. A União Europeia, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial já suspenderam a entrega de doações e empréstimos, e a Assembleia Geral da ONU manifestou-se pela volta de Zelaya ao poder.

O chanceler da Costa Rica, Bruno Stagno, viajou na segunda-feira à Cidade do Panamá para se reunir com uma delegação enviada por Micheletti.

Uma fonte do governo costa-riquenho disse que Arias cancelou sua agenda de governo desde segunda-feira para se dedicar integralmente à mediação da crise hondurenha.

Em Honduras, alguns partidários de Zelaya organizam protestos e esperam a volta dele. "Nós esperamos que a pressão internacional tenha seus efeitos para conseguir a restituição do presidente da república, mas estamos observando que o governo de fato está se agarrando a tudo, não quer ceder, e isso nos preocupa", disse Dagoberto Suazo, um dos líderes dos protestos.

(Com reportagem de Elida Moreno na Cidade do Panamá e Esteban Israel em Tegucigalpa)

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