Zelaya vai se instalar temporariamente no México, diz aliado

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pretende se radicar temporariamente no México e visitar frequentemente a Guatemala para participar do Parlamento Centro-Americano, depois que deixar Tegucigalpa na quarta-feira, disse um político aliado.

Reuters |


Zelaya, que está há quatro meses abrigado na embaixada do Brasil em Honduras, de onde reivindica sem sucesso sua restituição, viajará no dia 27 a Santo Domingo, conforme acordo firmado pelo presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, e o presidente dominicano, Leonel Fernández, anunciado nesta semana por um assessor do líder deposto.

O acordo prevê um salvo-conduto para que Zelaya, sua família e alguns seguidores deixem a embaixada sem a ameaça de que ele seja preso.

César Ham, ex-candidato a presidente e líder do partido de esquerda Unificação Democrática, disse à Reuters que Zelaya deve passar uma ou duas semanas na República Dominicana "e depois planeja se radicar no México, de onde vai se deslocar à Cidade da Guatemala para assistir às sessões do Parlamento Centro-Americano."

Pelo estatuto do Parlamento Centro-Americano, que tem sede na Guatemala, os ex-presidentes da região se transformam automaticamente em deputados desse organismo quando deixam seus cargos.

Lobo, eleito em novembro, assumirá a Presidência na quarta-feira, pondo fim ao governo de facto que tomou o poder depois do golpe de Estado contra Zelaya, em 28 de junho.

Na ocasião, militares levaram Zelaya para o exílio, mas ele voltou clandestinamente a Honduras em 21 de setembro, e desde então está abrigado na embaixada do Brasil, a qual está cercada por soldados e policiais com ordens para prendê-lo. Ele é acusado de ter violado a Constituição por convocar um referendo que o autorizaria a disputar a reeleição presidencial.

Ao assinar o acordo com Fernández para permitir a saída de Zelaya, Lobo busca reconhecimento internacional ao seu governo, já que o Brasil e outros países latino-americanos não consideraram válida a sua eleição, por ter sido organizada pelo governo de facto.

O golpe levou vários países e organismos internacionais a cortar sua ajuda a Honduras, terceiro país mais pobre das Américas, depois do Haiti e da Nicarágua. Apenas dois presidentes pretendem assistir à posse de Lobo: Fernández e o panamenho Ricardo Martinelli.

Depois da cerimônia, Lobo e Fernández devem se deslocar à embaixada do Brasil, de onde acompanharão Zelaya até o aeroporto, para que ele embarque na companhia de Fernández com destino a Santo Domingo, segundo Ham.

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