MANÁGUA - O presidente deposto hondurenho Manuel Zelaya, que http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/07/28/golpe+em+honduras+completa+um+mes+sem+qualquer+solucao+7539932.html target=_topcompleta hoje um mês fora do poder e expulso do país, deixou o município nicaraguense de Ocotal, perto da fronteira com Honduras, em direção às montanhas da Nicarágua para organizar uma resistência, informaram hoje os colaboradores do líder.

Zelaya, que dormiu pelo quarto dia seguido no hotel Frontera do município de Ocotal, no departamento de Nueva Segovia, a 25 quilômetros da fronteira com Honduras e 225 quilômetros a norte de Manágua, se encaminha para a comunidade Las Colinas, perto do ponto fronteiriço de Las Manos. A informação foi dada pela porta-voz do líder deposto Elizabeth Sierra.


Zelaya discursa na fronteira da Nicarágua com Honduras / AP

Zelaya inspecionará esse acesso a Las Manos, no lado nicaraguense da fronteira, onde se encontra um grupo dos seguidores do líder deposto, acrescentou a fonte.

O presidente deposto, que na sexta-feira tentou sem sucesso entrar pela segunda vez em Honduras, ressaltou na véspera que se manterá em "pé de luta" e à espera da família e de mais seguidores que o acompanhem em seu retorno ao país para retomar o poder após o golpe de Estado de 28 de junho.

Zelaya dedicou os dois últimos dias a visitar Ocotal e outras comunidades na divisa e a se reunir com seus simpatizantes, aos quais incentiva a manter uma "resistência pacífica" contra o golpe.

Em Las Manos, Zelaya espera se reunir "a qualquer momento" com a mulher, Xiomara Castro, a filha, Hortensia Zelaya, e a mãe, Hortensia Rosales, indicou o líder político hondurenho.

ONU verifica condições de simpatizantes

Funcionários da ONU visitaram a fronteira de Honduras com a Nicarágua para verificar a situação dos seguidores do deposto presidente Manuel Zelaya, que encontram problemas para conseguir alimentos.


Partidários de Zelaya acampam em ginásio na fronteira da Nicarágua / AP

Cinco funcionários da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e da FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação) se encontram na fronteira para verificar a situação dos zelayistas precariamente instalados e submetidos a um toque de recolher do governo de fato hondurenho.

Ninguém sabe exatamente quantos partidários de Zelaya chegaram à zona depois que foram instalados bloqueios militares, mas muitos burlaram a vigilância se aventurando por caminhos perigosos.

Discussão no Congresso de Honduras

Enquanto isso, o Congresso hondurenho analisou na noite de segunda-feira o plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para resolver a crise política criada pelo golpe de Estado.

O Parlamento, que se reuniu poucas vezes desde o golpe de Estado, em 28 de junho passado, foi convocado para analisar um plano elogiado pelo presidente interino, Roberto Micheletti, e apoiado pelos militares, mas que tropeça na exigência do retorno de Zelaya à presidência.

O Plano Arias prevê a volta de Manuel Zelaya ao poder em Tegucigalpa, na chefia de um governo de união nacional.

A sessão teve início após as 16h e, após mais de três horas de discussões, os deputados decidiram criar uma comissão encarregada de analisar a proposta e elaborar um relatório, que será discutido em plenário, revelou o novo presidente do Congresso, José Alfredo Saavedra.

"Vamos ter que esperar que a comissão (de sete membros) produza o documento. Nossa obrigação é analisá-lo imediatamente" após sua conclusão, disse Saavedra.

A comissão é integrada pelos legisladores Ramón Velásquez, Rodolfo Irias, Toribio Aguilera, Enrique Rodríguez, Emilio Cabrera, Ricardo Rodríguez e Aldo Reyes.

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