Nações Unidas, 29 jun (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, comparecerá amanhã na Assembleia Geral da ONU para expor a situação de seu país após o golpe militar de domingo, que hoje recebeu a condenação generalizada dos membros do organismo.

Os Governos latino-americanos lideraram hoje na ONU as declarações de rejeição ao golpe militar em Honduras em reunião de urgência do órgão convocada por causa dos fatos ocorridos nos últimos dois dias neste país centro-americano.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, o nicaraguense Miguel D'Escoto, anunciou que Zelaya explicará pessoalmente a situação na qual ficou Honduras após o golpe militar.

Zelaya se dirigirá à Assembleia a partir das 12h de Brasília desta terça-feira.

O órgão deve aprovar uma resolução condenatória desses fatos, disse D'Escoto que também expressou satisfação pela "unidade" com que os países da ONU responderam diante da situação em Honduras.

Em seu discurso, D'Escoto pediu que os 192 países-membros do organismo mundial unam suas vozes contra a expulsão de Zelaya, atribuída a "forças reacionárias" opostas aos movimentos populares que elegeram "Governos progressistas em respostas às desastrosas consequências das políticas neoliberais".

Nesse sentido, o embaixador de Honduras na ONU, Jorge Arturo Reina, afirmou que seu país "perdeu a democracia" e denunciou a detenção de vários colaboradores do presidente deposto.

O diplomata defendeu a posição de Zelaya de seguir adiante com uma consulta para perguntar aos hondurenhos se estavam a favor da realização de um referendo em novembro sobre uma eventual Assembleia Constituinte.

"Ele buscava fortalecer a democracia hondurenha, a democracia que tanto nos foi exigida", apontou Reina, que também pediu à Assembleia Geral para que emita "uma condenação global" ao golpe de Estado, exija o retorno de Zelaya ao poder e não reconheça nenhum outro Governo como legítimo.

Já o embaixador do México na ONU, Claude Heller, exigiu em nome do Grupo do Rio "a restituição imediata e incondicional em seu cargo do presidente legítimo e constitucional" de Honduras, após a ruptura "inadmissível e inaceitável" da ordem democrática no país.

"O Grupo do Rio reitera que o apego aos valores e princípios democráticos deve prevalecer acima de qualquer diferença política", afirmou Heller.

O diplomata mexicano lembrou que o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou para a terça-feira uma sessão extraordinária para adotar medidas de acordo com a Carta Democrática Interamericana.

Nesse mesmo sentido discursaram na Assembleia Geral o embaixador chileno, Heraldo Muñoz, em nome da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), assim como o representante da Venezuela, Jorge Valero, que anunciou a posição da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).

Ao tomar posteriormente a palavra em nome de seu país, Valero assegurou que a ação militar contra Zelaya, um aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, não ocorreu por acaso.

"O golpe em Honduras não é um fato isolado. Há uma contrarrevolução ocorrendo pelo planeta. Devemos detê-la em Honduras como condição para impedir seu avanço mundial", afirmou o diplomata venezuelano.

Por sua vez, o embaixador tcheco, Martin Paulos, pediu em nome da União Europeia (UE) a libertação de todos os representantes do deposto Governo hondurenho detidos pelo Exército e solicitou a busca "uma solução por meio do diálogo".

Da mesma forma, a embaixadora adjunta dos EUA na ONU, Rosemary DiCarlo, expressou a rejeição de Washington à derrubada de Zelaya, além da negativa americana em reconhecer as atuais autoridades em Tegucigalpa.

A crise política em Honduras se agravou este domingo com a destituição de Zelaya, retirado do poder pelas Forças Armadas e levado pelas mesmas para a Costa Rica, após manter um duro confronto durante vários dias com outros poderes do Estado.

Zelaya insistia em realizar uma consulta popular com vistas a uma reforma constitucional declarada como ilegal pelos poderes Legislativo e Judiciário.

Segundo os opositores do chefe de Estado deposto, a consulta lhe abriria caminho para a reeleição.

Zelaya foi substituído pelo presidente do Parlamento Roberto Micheletti, de seu mesmo partido, designado para assumir a Presidência de Honduras durante os seis meses que restam do período de quatro anos para o qual o chefe de Estado deposto foi eleito em 2005 e que terminará em 27 de janeiro de 2010.

Mais cedo hoje, forças policiais lançaram gás lacrimogêneo e entraram em confronto contra centenas de partidários de Zelaya, os quais permanecem em frente ao palácio presidencial em Tegucigalpa desde domingo.

Com o apoio de dois helicópteros, as forças policiais desmontaram vários piquetes que obstruíam o acesso à residência oficial e detiveram um número indeterminado de pessoas, calculado em quase 30 por organizações sociais. EFE jju/bba

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