Zelaya segue de Washington para Honduras

O avião com o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, partiu neste domingo de Washington para Tegucigalpa, onde deve pousar às 23h00 GMT (20h00 Brasília), informou o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.

Redação com agências internacionais |

O avião de Zelaya, de bandeira venezuelana, decolou do aeroporto Dulles de Washington logo após às 19h00 GMT (16h00), e deve chegar a Tegucigalpa em quatro horas, às 17h00 local.

AP
Simpatizantes de Zelaya protestam em Honduras
Simpatizantes de Zelaya protestam
As autoridades hondurenhas já informaram que não permitirão o pouso do avião com o presidente deposto.

Neste domingo, o aeroporto da capital hondurenha foi ocupado por tropas e veículos blindados, para impedir a aproximação de milhares de manifestantes pró Zelaya.

"Está proibida de aterrissar a aeronave que estiver trazendo o ex-presidente, independentemente de quem vier junto e de qual aeronave seja", declarou Enrique Ortez, chanceler do governo interino de Honduras, em entrevista a uma rádio local.

No sábado, Zelaya anunciou em Washington sua intenção de regressar neste domingo a Tegucigalpa, apesar de alguns países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) terem recomendado o adiamento da viagem por motivos de segurança.

O ex-embaixador de Honduras na OEA, Carlos Sosa, anunciou que o avião de Zelaya deve sair "por volta das 10h00 (14h00 GMT) de Washington para Honduras", chegando "às 15h00 (21h00 GMT)" a Tegucigalpa.

Declaração

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou no sábado que iria regressar ao país neste domingo, mesmo diante da ameaça de que seja preso ao fazê-lo. O governo interino hondurenho, instaurado após a deposição de Zelaya no domingo passado, diz que o presidente afastado cometeu 18 delitos, entre eles traição à pátria.

O anúncio do presidente foi feito em uma gravação enviada à emissora de televisão regional Telesur.

Em uma entrevista à BBC, a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena de Casco, afirmou que, se o líder afastado regressar, "nós estaremos em uma situação muito ruim, porque ele será preso imediatamente".

O presidente eleito hondurenho está em Washington, acompanhando a reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Zelaya disse que virá acompanhando de outros líderes latino-americanos, entre eles a presidente da Argentina, Cristina Fernandez de Kirchner, e o líder do Equador, Rafael Corrêa.

Zelaya conclamou seus correligionários a ir às ruas recebê-lo, mas adotou um tom apaziguador, ao dizer que o façam "desarmados".

O líder deposto usou termos fortes para se referir aos representantes do governo interino, chamando-os de "Judas, que me beijaram no rosto, para, em seguida, realizar um forte golpe contra nosso país e nossa democracia".

Igreja Católica

No sábado, o cardeal Óscar Rodriguez, líder da Igreja Católica hondurenha, havia pedido, em um pronunciamento feito à TV do país, que o presidente afastado não regressasse a Honduras, uma vez que isso poderia causar um "banho de sangue".

Na sexta-feira à noite, o governo interino de Honduras anunciou sua retirada da OEA, se antecipando à provável suspensão do país da entidade.

Ainda na sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, veio a Tegucigalpa, para tentar negociar um fim ao impasse político no país.

AP

Secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, fala em coletiva de imprensa,
em assembleia da organização



Mas os representantes da Suprema Corte, da classe política e do clero com quem Insulza se reuniu teriam se mostrado irredutíveis em relação à condição sine qua non manifestada pelo líder da OEA, de que Zelaya possa voltar ao país.

Neste sábado, a capital hondurenha viveu um "ensaio" do clima que poderá acometer a cidade caso Zelaya cumpra a promessa de regressar.

Milhares de manifestantes favoráveis ao presidente afastado marcharam desde o centro da cidade até a região do aeroporto de Toncontin, carregando cartazes e faixas em defesa de Zelaya.

Os líderes da organização procuraram adotar um tom sereno, elogiando o trabalho da polícia, que autorizou a manifestação, e enfatizando o caráter pacífico da organização.

Eles só se mostraram menos contidos ao dar uma estimativa sobre o número de presentes ao evento.

Do alto de um carro de som, um dos organizadores disse que a passeata reuniu 400 mil pessoas, o que representaria mais da metade da população de Tegucigalpa.


(Com informação da BBC e da AFP)

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(Com AFP)

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