Zelaya se nega a negociar com golpistas e anuncia formação de frente cívica

OCOTAL - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, descartou continuar com as negociações com os golpistas que o tiraram do poder e anunciou que organizará uma frente cívica na cidade de Ocotal, na fronteira com a Nicarágua.

AFP |

"Não haverá negociações com os golpisas", declarou Zelaya numa coletiva de imprensa em Ocotal, onde está concentrado com dezenas de seguidores.

Zelaya agradeceu à solidariedade da comunidade internacional, mas insistiu que a essa demonstração deve ser mais expressiva, especialmente das autoridades dos Estados Unidos .

O presidente deposto havia anunciado que ia a San José participar em uma cúpula meso-americana e também iria a Washington esta semana, mas desistiu de fazê-lo para permanecer na fronteira de seu país com a Nicarágua e dar apoio à frente cívica que está se formando para resistir contra o golpe de Estado em Honduras.

AP

Manifestantes a favor de Zelaya encaram exército hondurenho

Os partidários de Zelaya entram pela fronteira de Las Manos através das montanhas para evitar os obstáculos e bloqueios militares instalados em Ocotal, e quase todos sofrem com as condições precárias da travessia.

"Há muita gente sofrendo dentro de meu país. Resistimos firmemente 28 dias e não tem havido um minuto de descanso até que os usurpadores saiam", assinalou Zelaya.

A presença de Zelaya na fronteira "não contribui para a reconciliação", lamentou o mediador Oscar Arias neste domingo em entrevista publicada pelo jornal espanhol "El País".

Entretanto, o dirigente costarriquenho ressaltou que qualquer acordo para uma resolução da crise "passa pelo restabelecimento de Manuel Zelaya no poder" em Honduras.

Toque de recolher

O governo de Honduras, por sua vez, anunciou em cadeia nacional de rádio e TV no domingo a ampliação a 78 horas consecutivas do toque de recolher na zona de fronteira com a Nicarágua .

Com isto, a região de fronteira do sul de Honduras completará quase três dias completos sob toque de recolher, embora, na prática a medida venha sendo desafiada por seguidores de Zelaya.

O toque de recolher na zona fronteiriça com a Nicarágua, incluindo todo o departamento de El Paraíso, no sul, começou ao meio-dia de sexta-feira passada.

Debate no Congresso

O Congresso hondurenho debaterá nesta segunda uma proposta de Arias elogiada pelo regime de fato de Roberto Micheletti e apoiada pelos militares, embora não muito aceita porque visa restituir Zelaya ao poder.

A ambiguidade nas declarações dos militares e do governo de fato poder ser dirigida a atenuar os protestos dos "zelayistas" e dar uma demonstração ao mundo de que um retorno ou não de Zelaya ao poder não depende de alguém em particular e sim da vontade de todos os poderes do Estado.

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