O presidente deposto Manuel Zelaya retornou na segunda-feira a Honduras depois de quase três meses e se refugiou na embaixada do Brasil, surpreendendo o regime de Roberto Micheletti, que instaurou o toque de recolher, pediu o Brasil que entregue Zelaya e deu por encerrada a mediação de Oscar Arias.

Zelaya, afirmou na madrugada desta terça-feira ter estabelecido os primeiros contatos para iniciar o diálogo com as autoridades do governo de fato.

"Diretamente estamos começando a fazer as aproximações de forma direta. Sempre tem sido por meio de intermediários e diferentes componentes que apresentaram para este assunto", afirmou em entrevista ao Canal 11.

"Quando tivermos uma proposta específica vamos divulgá-la, porque eu pedi um diálogo e estamos nos comunicando", disse.

Também convocou os hondurenhos a Tegucigalpa para pressionar o regime de Micheletti.

"Venham para a capital, porque aqui há de estabelecer-se um diálogo pacífico, mas que deve restabelecer a constitucionalidade", disse Zelaya.

"Ninguém mais vai me agarrar dormindo e minha posição é a pátria, a restituição ou a morte", disse Zelaya na embaixada do Brasil, ao lembrar o golpe militar que o tirou do poder, no dia 28 de junho passado.

Ele também rejeitou as eleições programadas para novembro pelo governo de Micheletti.

Zelaya quer um diálogo e pediu aos militares que não ataquem a população. Ao mesmo tempo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) exigiu do regime de fato que garanta a segurança do presidente deposto.

Micheletti impôs um toque de recolher até as 18H00 locais de terça-feira (21H00 de Brasília) e pediu ao Brasil que entregue Zelaya para julgamento.

Além disso, deu por encerrada a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, na crise.

Também anunciou o fechamento dos quatro aeroportos internacionais do país na terça-feira. "Temos muita preocupação de que possam tentar qualquer ação contra nosso país e vamos evitar, desta forma, a vinda destas aeronaves", disse.

Micheletti pediu ao governo do Brasil "que respeite a ordem judicial ditada contra o senhor Zelaya entregando-o às autoridades competentes de Honduras".

O governo do Brasil afirmou esperar que a situação facilite uma solução rápida para a crise e o retorno de Zelaya ao poder, e negou ter planejado o retorno, em declarações do chanceler Celso Amorim em Nova York.

Tanto Arias como a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, consideraram o retorno de Zelaya uma oportunidade para encerrar a crise.

O Conselho Permanente da OEA exigiu ao governo de fato que respeite a vida de Zelaya. O secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, se declarou disposto a viajar a Tegucigalpa.

A presidência da União Europeia (UE) pediu uma solução negociada em Honduras e, em particular, que as partes evitem qualquer ato de violência.

Zelaya voltou secretamente ao país após duas tentativas frustradas em julho, enquanto aumentavam as pressões da comunidade internacional para isolar Micheletti.

Estados Unidos, UE e os países da América Latina isolaram o regime de fato e consideram Zelaya o presidente legítimo.

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