Zelaya retoma viagem à fronteira com Honduras

MANÁGUA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, retomou nesta sexta-feira sua viagem em direção à fronteira do país com Honduras. Segundo a agência EFE, ele deixou a cidade de Estelí e se dirige para El Empalme, que se comunica com o posto fronteiriço de Las Manos.

Redação com agências internacionais |

Reuters
Militares hondurenhos sobem em carro em El Paraiso, a 12 km da fronteira com a Nicarágua

Militares hondurenhos sobem em carro em El Paraiso,
a 12 km da fronteira com a Nicarágua

Acompanhado pelo chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, Zelaya iniciou a viagem na quinta-feira, a partir de Manágua. Ao sair do hotel de Estelí, pouco antes das 11h (14h de Brasília), Zelaya não fez declarações à imprensa.

A encarregada de negócios da embaixada de Honduras em Manágua, Victoria Rodas, declarou que as opções de entrada no país são várias.

"Contemplou-se um ponto terrestre com a Guatemala, dois pontos terrestres com El Salvador e quatro pontos terrestres pela Nicarágua, assim como várias possibilidades de entrada furtiva por pontos terrestres do interior ou por via aérea", disse a diplomata hondurenha. 

Enquanto Zelaya segue seu percurso, militares hondurenhos tentam impedir que simpatizantes do presidente destituído aproximem-se da fronteira com a Nicarágua. Segundo membros da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado, tropas das Forças Armadas e da polícia suspenderam o trânsito de veículos em alguns pontos próximos à fronteira, obrigando os simpatizantes a andarem a pé.

Reuters
Simpatizantes de Zelaya andam a pé em estrada de Zamorano, depois que ônibus que se dirigiam à fronteira com a Nicarágua serem parados em postos militares

Apoiadores de Zelaya andam em estrada, após ônibus que se dirigiam
à fronteira com a Nicarágua serem parados em postos militares

Os manifestantes, de várias regiões do país, estão viajando em carros pequenos, porque o regime de facto, liderado pelo presidente Roberto Micheletti, advertiu os proprietários de ônibus que suspenderá a licença de quem levar simpatizantes para locais próximos à Nicarágua, contou Juan Barahona, dirigente da organização popular.

Os cidadãos que apoiam Zelaya esperaram o término do toque de recolher para iniciarem mobilizações com bandeiras e cartazes.

Zelaya sofreu um golpe de Estado no último dia 28 de junho, após tentar convocar uma consulta popular para modificar a Constituição do país. Militares invadiram sua casa e o obrigaram a deixar o país.

As Forças Armadas emitiram um comunicado nesta sexta-feira alertando que não se responsabiliza pela segurança pessoal do presidente destituído, e que o mesmo será detido quando retornar ao país.

Algumas organizações sociais simpatizantes a Zelaya mantêm os bloqueios, iniciados na quinta-feira, de avenidas nos departamentos (estados) de Santa Bárbara, Ocotepeque e Copán. Também estão interditadas estradas no norte do país, nas cidades de San Pedro Sula, La Ceiba e Tocoa.

A coordenadoria das Organizações Populares do Ocidente denunciou, por sua vez, que as Forças Armadas estão impedindo a mobilização de hondurenhos do oeste do país.

Já os simpatizantes do regime de facto tinham previsto para esta sexta-feira à tarde uma marcha em San Pedro Sula para "defender a constituição, a paz e a democracia".

Esta é a segunda tentativa de Zelaya de voltar a Honduras. Na primeira, em 5 de julho, seu avião foi proibido de pousar no país.

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