Zelaya recebe embaixador dos EUA e reforça postura sobre golpe

Tegucigalpa, 20 dez (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse ao embaixador americano Hugo Llorens neste sábado que sua saída do país deve acontecer de tal forma que não atrapalhe seus planos como líder.

EFE |

"O presidente (Zelaya) voltou a manifestar que ele representa o povo hondurenho" e que sua eventual "saída do país tem que ser com um procedimento que não afete a investidura da Presidência da República", explicou hoje o assessor e porta-voz do líder deposto, Rasel Tomé.

Segundo ele, o presidente está com a "vontade política" de contribuir para encontrar uma saída para a crise, mas vai respeitar o mandato do povo e não vai sair com asilo ou de qualquer forma que afete sua condição de líder.

Tomé confirmou à Agência Efe que Llorens visitou Zelaya no sábado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o líder deposto permanece desde 21 de setembro passado.

"O embaixador Hugo Llorens veio se reunir com o presidente, se falou de toda a temática que está acontecendo em Honduras" pela crise gerada após a derrubada de Zelaya em 28 de junho, disse Tomé.

Entre outros assuntos, segundo ele, foi abordada "a governabilidade, a crise gerada pelo golpe de Estado e o processo que se está sendo realizado para encontrar um lugar, um território neutro, onde o presidente Zelaya tenha liberdade" e possa se reunir "com os atores" do conflito.

Tomé explicou que um desses "atores" é o presidente eleito hondurenho, Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional, com quem Zelaya tinha previsto se reunir na semana passada na República Dominicana.

No entanto, o Governo de fato de Roberto Micheletti já negou a permissão solicitada para que Zelaya viaje ao México e advertiu que só a daria se o líder deposto fosse como asilado político.

Segundo Tomé, ao término do encontro com Llorens não ficou determinada uma data para a eventual saída de Zelaya do país.

A Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras, que exige a volta ao poder de Zelaya, disse neste sábado à Efe que o líder não sairá da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa antes de 27 de janeiro.

"Com essa atitude dos golpistas de não querer largar o poder, não acreditamos que o presidente Zelaya saia antes de 27 de janeiro, nem que ele se preste a isso só para legalizar a cerimônia da transferência de poder", afirmou à Efe o secretário-geral da Frente Nacional de Resistência Popular contra o Golpe de Estado, Juan Barahona. EFE lam/rr

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