Santo Domingo, 3 fev (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, propôs hoje a aplicação de uma série de sanções contra os executores de golpes de Estado, e afirmou que suas tentativas fracassadas de retornar ao poder em seu país foram atrapalhadas pela falta de iniciativa da comunidade internacional.

Zelaya, que está na República Dominicana como "hóspede distinto", sugeriu a criação de tribunais internacionais, a dissolução dos Exércitos que tenham participado de golpes de Estado e a aplicação de sanções econômicas e comerciais aos regimes que venham a substituir os Governos escolhidos democraticamente.

Apesar de responsabilizar a comunidade internacional por não ter conseguido voltar ao poder, Zelaya agradeceu as manifestações de Governos e organismos internacionais a favor de sua restituição.

Em entrevista coletiva, o ex-governante propôs, além disso, que os países governados por golpistas sejam expulsos de sistemas multilaterais e organismos internacionais, assim como o cancelamento de vistos e o congelamento de contas bancárias dessas nações.

Zelaya informou que "nos próximos dias" definirá uma possível viagem ao México, após conversas entre o presidente do país, Felipe Calderón, e seu colega dominicano, Leonel Fernández.

Em relação à situação de Honduras, após a chegada ao poder do presidente eleito Porfirio Lobo, Zelaya exigiu "castigo" para os autores do golpe de Estado e o fim "imediato" da repressão que, segundo ele, sofre o povo hondurenho.

"O sistema de justiça (em Honduras) deve ser reestruturado.

Pessoas que têm relação com golpes de Estado devem ser retiradas de seus cargos nas diferentes instituições", afirmou.

O presidente deposto destacou a solidariedade demonstrada a ele pelos presidentes latino-americanos e de outros continentes, e assegurou que mantém "excelentes relações" com os Governos que formam a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).

Zelaya reiterou que pensa retornar "o mais em breve possível" a Honduras, mas disse que por enquanto "não há condições" para isso.

"Os que querem me julgar são meus adversários, que não levantaram um só dedo para julgar os assassinos, torturadores e repressores do povo hondurenho (...)", manifestou.

"Ainda há muito por fazer em Honduras, mas nossa intenção é buscar uma saída para o processo de reconciliação nacional", declarou, acompanhado de Rasel Tomei, um dos líderes da resistência hondurenha.

O ex-governante se mostrou de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que recomendou hoje às autoridades de Honduras que revisem o decreto de anistia geral aprovado pelo Congresso Nacional para os envolvidos no golpe de Estado de 29 de junho do ano passado.

"Como diz a CIDH, essa anistia é ambígua (...) uma coisa são os delitos políticos e outra, muito distinta, são os delitos contra pessoas", esclareceu Zelaya. EFE rs/fm

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