O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou por alguns instantes, nesta sexta-feira, ao território hondurenho, mas retrocedeu à Nicarágua, diante do esquema militar montado pelo governo interino para detê-lo.

Zelaya chegou na tarde de hoje à localidade nicaraguense de Las Manos, na fronteira com seu país, com a intenção de "fazer um apelo ao diálogo e falar com as pessoas", como afirmou o próprio dirigente, definindo-se como "um homem de paz".

Sob uma forte chuva, Zelaya parou seu veículo a poucos metros da fronteira e foi imediatamente cercado por dezenas de hondurenhos gritando "Viva Mel".

Também estava no carro o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, cujo país é um dos aliados mais próximos do presidente hondurenho deposto. Do outro lado da fronteira, em território hondurenho, um helicóptero da polícia sobrevoava a área e dezenas de policiais e militares fortemente armados vigiavam a entrada do território, enquanto partidários de Zelaya tentavam passar pela barreira formada pelas forças da ordem.

Em sua breve permanência no território hondurenho, Zelaya disse ao oficial encarregado das tropas posicionadas na fronteira que desejava falar com o alto comandante do Exército, general Romeo Vásquez.

"Me coloquem em contato com o alto comando", pediu Zelaya ao coronel, na frente das tropas estacionadas na fronteira de Las Manos.

Zelaya revelou que estendeu "a mão" ao militar e lhe disse que queria falar com o general Romeo Vásquez, chefe do Estado-Maior do Exército.

O objetivo é "lhe dizer que já estou aqui, que quero me comunicar com ele para dizer que traga a paz à família hondurenha".

O governo interino hondurenho reagiu ao movimento de Zelaya afirmando que o presidente deposto "promove a subversão e um banho de sangue", com o apoio de tropas estrangeiras.

Zelaya "ignora o apelo de instâncias internacionais, como o departamento americano de Estado, e de outros governos da América e do mundo que favorecem uma solução pacífica para a situação política de Honduras, e em seu lugar promove a subversão, o banho de sangue, o uso de tropas estrangeiras para ameaçar a soberania" nacional", denunciou a chancelaria em Tegucigalpa.

"O governo da República responsabiliza o senhor Hugo Chávez, presidente da República Bolivariana da Venezuela, o senhor Daniel Ortega, presidente da República da Nicarágua, e o senhor Zelaya Rosales por desprezo à vida humana e pelas consequências de suas ações de força".

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, considerou "imprudente" a tentativa de Zelaya, e estimou que a decisão "não contribui ao esforço geral empreendido para restaeblecer a democracia e a ordem constitucional em Honduras".

No território hondurenho, os militares bloquearam a passagem do comboio que levava a família de Zelaya à fronteira.

A esposa de Zelaya, Xiomara Castro, acompanhada de seus filhos, José Manuel e Xiomara Hortencia, além de sua mãe e sua sogra, pretendia se reunir com o presidente deposto em Las Manos, para voltar a Honduras em grupo.

O governo interino decretou hoje toque de recolher a partir do meio-dia na fronteira com Honduras.

Derrubado do poder pelos militares em 28 de junho e expulso para a Costa Rica, de onde seguiu para a Nicarágua, Zelaya saiu quinta-feira de Manágua para regressar a seu país.

A última tentativa de mediação entre as duas partes fracassou na quarta-feira, na Costa Rica.

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