Manágua - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu aos Estados Unidos para que recrudesçam de forma mais enérgica suas medidas contra as novas autoridades de seu país, lideradas por Roberto Micheletti.

Zelaya fez este pedido ao embaixador dos EUA em Tegucigalpa, Hugo Llorens, com quem inesperadamente se reuniu hoje na embaixada de Honduras em Manágua.

"Pedimos que se recrudesçam de forma mais enérgica as medidas que os EUA possam tomar para reverter o processo e os efeitos negativos deste golpe de Estado, que está envergonhando e humilhando a própria humanidade", disse em entrevista coletiva o líder deposto hondurenho.

Tropa de choque atua em protesto pró-Zelaya em Tegucigalpa / AP

Na terça-feira, os EUA anunciaram a suspensão dos vistos diplomáticos de quatro funcionários do Governo hondurenho liderado por Roberto Micheletti, que substituiu Zelaya na Presidência após o golpe de 28 de junho e que não é reconhecido pela comunidade internacional.

Zelaya fez esse mesmo pedido aos países da América Latina e aos da União Europeia (UE), assim como às Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos (OEA), entre outros organismos.

"O que está acontecendo em Honduras é uma ofensa aos EUA. É um desafio para a comunidade internacional", afirmou.

O líder deposto também exigiu de organizações como ONU, OEA, UE, Grupo do Rio, Mercosul, e o Sistema da Integração Centro-Americana (Sica) que façam valer o direito internacional público.

"Se valem algo, senhores, peço que recrudesçam suas medidas e tomem alguma ação imediata, ou simplesmente reconheçamos a fraqueza do direito internacional frente à intransigência do regime da força", sustentou.

Zelaya disse que o embaixador Llorens reafirmou que Washington rejeita o golpe de Estado, não reconhece as novas autoridades hondurenhas e "vai recrudescer" suas ações contra o novo Governo hondurenho "com outros tipos de represálias".

O presidente deposto também falou com o diplomata americano sobre possíveis "soluções e ações" para superar a crise em Honduras, mas não quis mencioná-las.

Zelaya disse estar "satisfeito" com a resposta de Llorens, que "está agindo sinceramente", segundo o líder deposto.

"Não creio em um duplo padrão do Governo dos EUA", acrescentou, mesmo ao considerar que existem conflitos internos nesse país, principalmente com "os falcões da velha-guarda reacionária".

Zelaya também condenou a "barbárie" ocorrida hoje em Honduras, quando a Polícia dispersou seus seguidores que bloqueavam o trânsito de uma estrada em ação que deixou pelo menos seis feridos - um deles levou um tiro na cabeça - e 88 detidos.

O presidente deposto denunciou que as novas autoridades lançaram "bombas lacrimogêneas com gases tóxicos sobre a população" para dispersar essa "manifestação pacífica" contra o golpe de Estado.

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