Zelaya pede medidas à comunidade internacional contra o novo governo de Honduras

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu à comunidade internacional que sejam tomadas medidas contra o novo regime, que o derrubou com um golpe de Estado no dia 28 de junho.

AFP |

"É preciso cancelar contas, suspender vistos e viagens e não permitir a entrada nos países de nenhum membro do regime golpista", declarou Zelaya ao jornal espanhol El Mundo em sua edição desta terça-feira, respondendo sobre que tipo de medidas o governo da Espanha poderia tomar contra os dirigentes que o expulsaram de Honduras.

Além disso, estimou que "a comunidade deve marcar um precedente para que isto não se repita, e que os golpes de Estado sejam parte da história", em entrevista concedida de Manágua.

"A comunidade internacional tem um problema. Pediram aos guerrilheiros que abandonem as armas" em vários países centro-americanos, "e agora é a direita que volta a pegar em armas. Então, qual é a mensagem que a comunidade internacional passa aos povos? (...) Isto é um problema que vai além de Honduras", estimou.

Zelaya anunciou no domingo que estava começando a organizar "a resistência interna" ao novo regime hondurenho, e que voltaria ao país após o fracasso das negociações com o governo de fato em San José.

"Estamos organizando a resistência interna, que nos garante a Constituição para preparar meu regresso ao país", disse ao El Mundo, afirmando que "a comunidade internacional" está ajudando a preparar sua volta.

Além disso, indicou que "a desobediência civil é não pagar impostos e não obedecer ordens dadas por um governo ilegítimo".

Na véspera, o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, declarou que uma pessoa que "desrespeitou a Constituição" não pode voltar ao poder, referindo-se claramente a Zelaya.

Ele ainda avisou que as eleições não serão antecipadas e que ficará no poder até janeiro de 2010.

"Uma pessoa que desrespeitou a Constituição da República diversas vezes" não pode voltar ao poder, afirmou Micheletti durante um discurso para dezenas de funcionários e seguidores de seu governo.

"Em 29 de novembro, haverá eleições livres e transparentes neste país", destacou, acrescentando que "em 27 de janeiro de 2010, de manhã cedo, estarei entregando o poder ao cidadão que o povo terá escolhido como presidente".

Estas foram as primeiras declarações de Micheletti desde o fim, sem acordo, das negociações empreendidas em San José sob o patrocínio do presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

esb/ap/cn

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