Zelaya nega que partidários tenham ameaçado Micheletti

Por Patrícia Vélez LIMA (Reuters) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, negou nesta quarta-feira que seus partidários possam estar relacionados com as ameaças de morte recebidas pelo presidente interino do país, Roberto Micheletti, a quem acusou de ver fantasmas.

Reuters |

Micheletti, empossado no cargo depois do golpe militar de 28 de junho que destituiu Zelaya e o enviou para o exílio, disse na segunda-feira que precisou reforçar sua segurança depois de receber ameaças de morte, as quais sugeriu terem partido de seguidores do seu antecessor.

"As suposições do senhor Micheletti acho que circulam mesmo nos seus fantasmas, que o levaram a cometer esse erro contra os hondurenhos," afirmou Zelaya a jornalistas. "Os que estão com rifles, com a força das armas, são os golpistas que ele encabeça," disse o presidente deposto no palácio do governo de Lima, onde foi recebido pelo presidente peruano, Alan García.

Ao denunciar as ameaças, Micheletti não aludiu à sua procedência concreta nem aos meios pelo qual foram realizadas.

Zelaya faz atualmente uma viagem pela América Latina para estimular os líderes regionais a manterem sua pressão contra o governo interino e a não reconhecerem os resultados da eleição presidencial marcada para novembro. Ele já esteve recentemente com os presidentes de Brasil, Chile e México.

O presidente deposto afirmou ainda que seu retorno a Honduras é "iminente," mas será pacífico. "Sinto-me de mãos limpas para regressar a Honduras," afirmou.

Apesar de o golpe ter sido condenado pela comunidade internacional, o governo provisório insiste que a destituição de Zelaya foi legítima e que ele será preso se tentar voltar ao país. O golpe teve apoio de empresários, líderes religiosos e vários grupos políticos.

As negociações em torno da crise estão paralisadas, enquanto o governo provisório rejeita a participação do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em uma comissão mediadora que tenta dar novo impulso ao chamado Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG