Zelaya não consegue aterrissar e crise em Honduras faz primeira vítima

José Luis Paniagua. Tegucigalpa, 5 jul (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não conseguiu hoje aterrissar em Tegucigalpa, como tinha anunciado, apesar de tentar, em um dia no qual a crise política aberta há sete dias fez a primeira vítima fatal.

EFE |

Um jovem de 19 anos, identificado como Isis Obed Murillo, morreu após levar um tiro na cabeça, e pelo menos outras dez pessoas ficaram feridas em confrontos entre seguidores de Zelaya e militares no aeroporto da capital hondurenha, para onde foram milhares de partidários do presidente destituído.

Poucos minutos depois que os confrontos provocaram a vítima fatal, o avião que levava Zelaya apareceu sobrevoando a capital hondurenha.

Seus seguidores comemoraram o surgimento da aeronave, mas as Forças Armadas, que tinham controlado o terminal aéreo desde o começo da manhã, colocaram veículos militares na pista para evitar que o avião pudesse aterrissar.

Após sobrevoar duas vezes o aeroporto e quando a Força Aérea hondurenha se dispunha a enviar aviões de combate, o aparelho de Zelaya virou e partiu rumo à Nicarágua.

Esse foi o ponto final para a maior manifestação que aconteceu em Honduras desde que os militares derrubaram e expulsaram Zelaya do poder, no dia 28 de junho, e puseram em seu lugar Roberto Micheletti.

A reação do novo presidente foi decretar um toque de recolher de aplicação imediata.

Durante o dia, o Governo fez contínuas conexões em rede nacional para transmitir mensagens repetidas do próprio Micheletti e da Igreja Católica que deixou as emissoras de rádio e televisão sem capacidade para poder dar conta do que estava acontecendo na capital.

O Governo que controla o poder desde o domingo passado tinha deixado claro que não permitiria a entrada do governante deposto, que no sábado à noite participou da reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), na qual se suspendeu Honduras do Sistema Interamericano.

As autoridades de Aeronáutica Civil anunciaram que o avião do presidente deposto não tinha recebido permissão para entrar no espaço aéreo hondurenho e tinha sido desviado para El Salvador.

Por sua parte, o novo presidente, Roberto Micheletti, assegurou que esse voo não tinha recebido autorização de entrada no país para evitar "conflitos internos".

"Aqui não se derramou uma gota de sangue de nenhum hondurenho e isto (a chegada de Zelaya) poderia ter como consequência isso", disse Micheletti em entrevista coletiva antes dos incidentes.

O novo presidente, que tinha passado a semana assegurando que se Zelaya voltasse ao país seria detido, afirmou hoje que "há tempo para refletir, para dialogar, para resolver estes problemas".

"Então (Zelaya) vai tomar a decisão de vir e se entregar ao país normalmente para que possamos, para que possam as autoridades que correspondam, decidir o que é correto fazer com o presidente Zelaya", acrescentou Micheletti, sem explicar por que hoje não era esse dia.

Por outro lado, o novo presidente atacou os presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, e Venezuela, Hugo Chávez, por não respeitarem seu Governo e, inclusive, denunciou movimentos de tropas nicaraguenses na fronteira, uma informação que foi desmentida taxativamente pelo próprio Ortega.

"Juro por Deus que a Nicarágua não está deslocando tropas para Honduras, isto não é mais que uma grosseira manobra dos golpistas", disse.

Apesar da suspensão e das denúncias contra os outros Governos da OEA, Micheletti reagiu à decisão do organismo de suspender Honduras com a oferta de um "diálogo de boa fé" para resolver a grave crise política vivida pelo país. EFE jlp/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG