Zelaya inicia diálogo com governo de fato

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, informou nesta quinta-feira que iniciou o diálogo com o governo de fato para buscar uma saída pacífica à crise política.

AFP |

"Neste momento quero dizer que já teve início o processo de diálogo com as forças vivas da Nação", disse Zelaya a uma rádio hondurenha, logo após conversar com o bispo auxiliar de Tegucigalpa, Juan José Pineda, na embaixada do Brasil, onde permanece desde que voltou ao país.

Zelaya revelou que na noite de quarta-feira se entrevistou com "um representante do governo de fato", que não quis identificar, e qualificou a conversa de início "positivo" do diálogo nacional.

"Não avançamos nada devido à posição inflexível que têm (os membros do governo de fato)", mas o encontro foi "positivo", estimou Zelaya.

O presidente deposto revelou que "virão (à embaixada do Brasil) diferentes personalidades do setor privado e dos partidos políticos", mas não deu detalhes sobre estes encontros.

Após se reunir com Zelaya, o bispo Pineda declarou à imprensa que foi à sede diplomática brasileira por iniciativa pessoal, porque muitos falam em diálogo "e ninguém toma a iniciativa".

Uma missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA), liderada pelo secretário geral da organização, José Miguel Insulza, chegará neste final de semana a Tegucigalpa para atuar como facilitadora de um diálogo visando à solução da crise.

Milhares de manifestantes protestaram hoje na zona da embaixada brasileira em apoio ao governo de fato em Honduras, dirigido por Roberto Micheletti, e para exigir a saída de Zelaya do país.

Aos gritos de "Fora Mel", "Cadeia para Mel", "Lula, Lula, leva esta mula" - os manifestantes passaram pelos arredores da embaixada e seguiram em passeata para a sede das Nações Unidas em Tegucigalpa.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu hoje que realizará, na sexta-feira, uma reunião de emergência sobre a crise em Honduras.

A reunião foi convocada pelos Estados Unidos, que preside o Conselho de Segurança, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula fez tal solicitação durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, após Zelaya se refugiar na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Segundo fontes diplomáticas, ao final da reunião o Conselho de Segurança deve se manifestar sobre a inviolabilidade da sede diplomática brasileira, cercada por policiais e militares.

O conflito político em Honduras se agravou na segunda-feira passada, quando o presidente deposto voltou secretamente ao país, após quase três meses de exílio, e se refugiou na embaixada do Brasil.

on/LR

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