Zelaya garante que não pretende cometer suicídio

Guatemala, 23 set (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, garantiu hoje que está totalmente saudável e que não tem intenção de cometer suicídio apesar do cerco policial e militar à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado desde segunda-feira.

EFE |

Em declarações à rádio "Emisoras Unidas de Guatemala", Zelaya assegurou que, nas últimas 24 horas, ele e um grupo de pessoas que permanecem na sede diplomática foram "atacados com gases tóxicos que nos têm deixado doentes".

Para o presidente deposto, o ataque com gases procura provocar sua saída da missão diplomática para matá-lo e depois simular um suicídio.

"Eu estou totalmente saudável e não tenho intenção de me suicidar", afirmou Zelaya ao reiterar que está praticamente "em uma prisão" na embaixada do Brasil porque está "rodeados de policiais e militares".

"Fomos bombardeados com gás lacrimogêneo, nos fizeram entrar em choque respiratório porque as bombas caíram dentro da embaixada a fim de provocar nossa saída e, logicamente, um magnicídio (assassinato de um governante)", afirmou.

Zelaya reiterou que não pode revelar como chegou até a embaixada do Brasil para não comprometer os que o ajudaram. No entanto, comentou que foi uma travessia "muito dura", de 16 horas, mas que se arriscou "porque é uma saída para o país, que está sofrendo".

O líder hondurenho disse que conseguiu evadir de todas as forças de segurança que o Governo de fato instalou nas fronteiras de Guatemala, El Salvador e Nicarágua.

"Me dirigi à embaixada do Brasil porque há muita perseguição em Honduras. Pedi para me comunicar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e em duas horas autorizaram minha proteção, porque eles me reconhecem como presidente de Honduras", relatou.

Zelaya afirmou que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não tem nenhuma influência política, econômica ou militar em Honduras.

Segundo o presidente deposto, os governantes que mais cooperaram com ele são os da América Central, mas reconheceu que recebeu apoio logístico de México, Chile e Brasil, entre outros países.

O líder hondurenho acrescentou que está disposto a travar um diálogo direto com Micheletti para buscar uma saída pacífica para a crise e criar as condições de paz que a América Central precisa para recuperar sua atividade econômica.

De acordo com Zelaya, há em Honduras "um derramamento de sangue, há muitos mortos. Criaram esquadrões da morte, há pessoas estupradas e torturadas pelo regime militar repressivo e o mundo não sabe disso". EFE oro/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG