Zelaya fracassa na tentativa de voltar a Honduras

A tentativa do presidente deposto, Manuel Zelaya, de voltar a Honduras fracassou no início da noite deste domingo, quando os militares bloquearam a pista do aeroporto de Tegucigalpa e ameaçaram interceptar o avião.

AFP |

Diante da aproximação do jato, de bandeira venezuelana, o Exército colocou veículos sobre a pista de pouso do aeroporto internacional de Honduras.

O aparelho chegou a fazer a aproximação da pista, mas não conseguiu pousar.

O avião seguiu então para Manágua, onde aterrissou no início da noite, apesar de Zelaya ser aguardado em El Salvador pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e pelos presidentes de Argentina e Equador, Cristina Kirchner e Rafael Correa.

O presidente deposto revelou que não conseguiu pousar em Tegucigalpa porque além da pista estar bloqueada, seu avião foi ameaçado de interceptação pela Força Aérea hondurenha.

"De terra, disseram aos pilotos que seriam interceptados por aviões da Força Aérea se insistissem na tentativa de pouso", informou Zelaya à rede Telesur, sediada na Venezuela.

"Temos que tentar voltar ao país. Se não for agora, o faremos amanhã (...) Se tivesse um pára-quedas, teria pulado imediatamente do avião".

"A partir de amanhã, a responsabilidade cai sobre as potências, especialmente Estados Unidos", para a adoção de "ações imediatas" contra o regime golpista".

Para voltar ao país, Zelaya apostava na mobilização de seus partidários em torno do aeroporto de Tegucigalpa, o que efetivamente ocorreu, mas o Exército reagiu a uma tentativa de ocupação, matando dois manifestantes.

"Temos dois mortos e dois feridos. A polícia não atirou. Foram os militares, porque os manifestantes estavam forçando a entrada na pista" do aeroporto, disse à AFP um delegado.

Um câmera da rede de televisão Al Jazeera, Alfredo de Lara, revelou à AFP que viu um menino com entre 10 e 13 anos morto no chão", além de outros três feridos em estado grave. Segundo testemunhas, uma jovem de 18 anos também foi morta no confronto.

O conflito ocorreu quando milhares de manifestantes, armados com pedaços de pau, tentaram passar pela cerca de segurança em torno da base da Força Aérea, no lado sul do aeroporto.

Pelo menos 30 mil pessoas foram ao aeroporto internacional de Toncontin, na capital hondurenha, para receber Zelaya.

O presidente deposto havia ordenado às Forças Armadas de seu país que abrissem o aeroporto: "Sou o comandante das Forças Armadas, eleito pelo povo, e peço ao Estado-Maior das Forças Armadas que cumpram a ordem de abrir o aeroporto para não haver qualquer problema no pouso e para que possa abraçar meu povo".

Em meio à manobra de Zelaya para voltar ao país, o presidente interino, Roberto Micheletti, denunciou um "movimento de tropas" da Nicarágua na fronteira com Honduras.

"Fomos informados que no setor da Nicarágua há movimento de tropas na fronteira", disse Micheletti em rede nacional de rádio e TV.

Logo em seguida, o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, garantiu que não havia "mobilização de tropas ou qualquer preparação para atacar as guarnições hondurenhas".

Segundo Ortega, a denúncia de Micheletti pretende justificar "um auto-ataque" para culpar a Nicarágua e investir contra uma posição militar na fronteira, com o propósito de desviar a atenção para o que ocorre em Tegucigalpa.

Na frente diplomática, a vice-chanceler do governo interino hondurenho, Martha Lorena Alvarado, propôs a abertura de um diálogo "de boa fé" com a Organização dos Estados Americanos, com a participação de uma delegação da República de Honduras (...) e de uma delegação de representantes de Estados membros, além de funcionários da secretaria-geral" da OEA.

Alvarado garantiu que Honduras está esperando "com os braços abertos" a comunidade internacional para entregar "toda a documentação e todos os elementos que permitam um julgamento imparcial, além da breve visita de (José Miguel) Insulza", secretário-geral da OEA.

Honduras foi suspensa na madrugada deste domingo da OEA por haver rompido sua constitucionalidade com o golpe de Estado que derrubou Manuel Zelaya.

afp/LR

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