Zelaya exige que EUA e A.Latina enfrentem golpistas hondurenhos

Ocotal (Nicarágua), 26 jul (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, exigiu hoje que os Estados Unidos e a América Latina enfrentem com força o novo Governo de seu país, presidido por Roberto Micheletti, para tirá-lo do poder.

EFE |

"Que a secretária (de Estado dos Estados Unidos, Hillary) Clinton enfrente a ditadura com força para falar bem do presidente (Barack) Obama", exigiu o líder deposto hondurenho no município nicaraguense de Ocotal, a 25 quilômetros da fronteira com Honduras.

"Que (a Casa Branca) deixe de evitar o tema da ditadura, que a enfrente com força para saber realmente qual é a posição dos EUA em relação a este golpe de Estado", acrescentou.

Zelaya também pediu aos governantes latino-americanos que enfrentem com força esta "ditadura", como chama o Governo de Micheletti.

"Esperamos que a América Latina, de forma conjunta, que os presidentes que não querem levar golpes de Estado, condenem este golpe, mas que (também) nos ajudem a tirar os ditadores para que volte a paz", disse em um megafone e a bordo de um veículo para ser ouvido por seus seguidores e por jornalistas.

Para Zelaya, "as relações internacionais e diplomáticas foram desafiadas por esta ditadura que se instalou em Honduras".

"O povo hondurenho não se sente só, se sente acompanhado, mas honestamente digo uma coisa: os golpistas estão zombando dos presidentes da América", afirmou.

"Quero saber o que os presidentes da América vão fazer, porque este grupo de malandros, militares golpistas, estão zombando deles também", insistiu o líder deposto.

Segundo Zelaya, os militares hondurenhos restringem as liberdades públicas, de circulação, de associação, e de opinião.

"Que delito comete minha família ao vir se reunir comigo, que crime comete o povo (hondurenho) ao querer se reunir na fronteira com a Nicarágua com o presidente?", perguntou, em referência a si mesmo.

O presidente derrubado ratificou que se manterá em "pé de luta" apesar de os golpistas "estarem violando as garantias de uma sociedade e os direitos humanos".

Zelaya pernoitou pelo segundo dia em Ocotal, acompanhado por ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, além de seus colaboradores e um grupo de seguidores.

O líder deposto deve viajar ao posto de Las Manos, na fronteira entre Nicarágua e Honduras, para tentar, pelo terceiro dia consecutivo, voltar a seu país.

No lado nicaraguense da fronteira, Zelaya esperará se encontrar "a qualquer momento" com sua esposa, Xiomara Castro, sua filha, Hortensia Zelaya, e sua mãe, Hortensia Rosales.

O lado hondurenho da fronteira é vigiado por membros do Exército e da Polícia de Honduras. As autoridades hondurenhas reiteraram que, se Zelaya entrar no país, será detido.

Zelaya foi deposto pelos militares em 28 de junho e, em seu lugar, o Parlamento hondurenho designou Roberto Micheletti, que até então presidia o Legislativo do país. EFE lfp/bba

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