Zelaya espera que EUA declarem que houve golpe militar em Honduras

Céline Aemisegger. Washington, 2 set (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, expressou hoje seu desejo de que o Governo dos Estados Unidos declare que houve um golpe de Estado no dia 28 de junho e que condene, de forma contundente, as violações aos direitos humanos em seu país.

EFE |

"O Departamento de Estado ainda não se pronunciou sobre as violações aos direitos humanos. Esperamos que, nas próximas horas, não só emitam a declaração de golpe militar, mas também uma resposta sobre os direitos humanos, totalmente contundente e evidente", afirmou Zelaya, em uma conferência na Universidade George Washington, na capital americana.

O pedido de Zelaya, que foi deposto e expulso de seu país no dia 28 de junho, foi feito na véspera de sua reunião com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

O Departamento de Estado reconheceu que está estudando a possibilidade de qualificar a destituição de Zelaya como "golpe militar".

Por enquanto, os EUA suspenderam US$ 18 milhões em ajudas a Honduras, mas essa determinação cortaria o resto da assistência.

A declaração de Hillary de que houve um golpe militar em Honduras no dia 28 de junho resultaria em uma suspensão das ajudas da Millennium Challenge Corporation (MCC) ao país, que assinou, em 2005, um convênio de cinco anos com Tegucigalpa, de assistências no valor de US$ 215 milhões.

Até o momento, a MCC já desembolsou US$ 80,3 milhões para Honduras sob o convênio.

Os restantes US$ 135 milhões não poderiam ser entregues ao país se houver a determinação de golpe militar, conforme a lei americana sobre ajuda ao exterior.

Na reunião com Hillary, o líder deposto abordará esta questão e o resultado da mediação do presidente costarriquenho, Óscar Arias, que se viu "totalmente debilitada" depois da recusa do Governo de Roberto Micheletti de aceitar o Acordo de San José, como forma de solução à crise hondurenha.

Além disso, Zelaya quer discutir as violações aos direitos humanos em Honduras pelo atual Governo.

O líder deposto denunciará outras questões, como por exemplo, o fato de que o ex-capitão do Exército hondurenho Billy Joya, associado aos "esquadrões da morte" responsáveis pelo desaparecimento de 184 pessoas entre 1980 e 1989, seja agora ministro assessor em matéria de segurança de Micheletti.

Na opinião de Zelaya, os EUA impulsionaram várias ações de pressão contra o Governo de Micheletti depois do golpe de Estado, mas "há muitas outras coisas a se fazer".

O presidente deposto acredita que o Governo de Barack Obama se envolveu na busca de uma solução à crise quando propôs Arias como mediador e, por isso, pede agora mais ações contundentes por parte dos EUA.

Zelaya disse ainda que a maior economia do mundo não pode colocar em jogo a mudança em política externa oferecida à América Latina por "alguém que deu um golpe e que não aceita as recomendações nem dos EUA, nem da comunidade internacional".

"É um grande desafio, uma prova de fogo para a Administração de Obama essa primeira ameaça à democracia na América Latina", assinalou.

O governante deposto confia, no entanto, que os EUA aumentarão sua pressão. "Acho que tem a vontade de fazer, mas vamos ver se realmente podem", acrescentou.

Por outra parte, Zelaya assegurou que, tendo em vista as eleições do dia 29 de novembro, "90% dos países do mundo não vão reconhecer um Governo escolhido em um pleito dirigido por um regime ilegal".

"Não vão reconhecer as eleições enquanto o presidente eleito não for restituído em suas funções e o golpe de Estado não for revertido", afirmou.

Um pleito nestas condições "não representam uma saída, mas um maior aprofundamento da crise política", concluiu Zelaya. EFE cai/pd

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