Zelaya entra em território hondurenho, mas volta à Nicarágua

MANÁGUA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, cruzou a fronteira e retornou a seu país nesta sexta-feira, mas depois recuou e voltou à Niguarágua, onde tenta negociar sua passagem com oficiais das Forças Armadas.

Redação com agências internacionais |

AP
Cercado por partidários, Zelaya fala ao telefone ao chegar a Las Manos

Cercado por partidários, Zelaya fala ao telefone ao chegar a Las Manos

O mandatário ingressou em território hondurenho às 14h26 locais (17h26 em Brasília), por meio da cidade de Las Manos, na Nicarágua, a 250 quilômetros de Manágua, de onde partiu na quinta-feira. Ele estava acompanhado da chanceler Patricia Rodas e de um grupo de simpatizantes.

Zelaya tentou negociar sua passagem com militares que estavam na área da fronteira e afirmou que desejava entrar em contato com a cúpula das Forças Armadas.

Posteriormente, voltou à cidade de Las Manos, onde estaria conversando por telefone com "assessores do governo golpista", segundo suas palavras.

"Estou em contato com vários assessores dos golpistas. Eles sabem que não podem governar com o presidente exilado e com o povo contra", afirmou ele.

Ao justificar a decisão de aguardar e tentar abrir negociações, Zelaya indicou que não quer desencadear uma onda de violência no país.

"Não quero fazer com que eles tenham de me dar um tiro e me assassinar, porque assim o problema iria piorar. Faço uso da razão e não quero ser a causa dessa violência. Venho desarmado e quero mostrar a eles que sou um homem de boa vontade", ressaltou.

Durante toda a tarde de sexta-feira, militares hondurenhos tentaram impedir que simpatizantes do presidente destituído se aproximassem da fronteira com a Nicarágua.

Segundo membros da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado, tropas das Forças Armadas e da polícia suspenderam o trânsito de veículos em alguns pontos próximos à fronteira, obrigando os simpatizantes a andarem a pé.

Reuters
Simpatizantes de Zelaya andam a pé em estrada de Zamorano, depois que ônibus que se dirigiam à fronteira com a Nicarágua serem parados em postos militares

Apoiadores de Zelaya andam em estrada, após ônibus que se dirigiam
à fronteira com a Nicarágua serem parados em postos militares

Os manifestantes, de várias regiões do país, estão viajando em carros pequenos, porque o regime de facto, liderado pelo presidente Roberto Micheletti, advertiu os proprietários de ônibus que suspenderá a licença de quem levar simpatizantes para locais próximos à Nicarágua, contou Juan Barahona, dirigente da organização popular.

Zelaya sofreu um golpe de Estado no último dia 28 de junho, após tentar convocar uma consulta popular para modificar a Constituição do país. Militares invadiram sua casa e o obrigaram a deixar o país.

As Forças Armadas emitiram um comunicado nesta sexta-feira alertando não se responsabilizar pela segurança pessoal do presidente destituído, e que o mesmo será detido no retorno ao país.

Esta é a segunda tentativa de Zelaya de voltar a Honduras. Na primeira, em 5 de julho, seu avião foi proibido de pousar no país.

(Com informações da EFE e da Ansa)

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