Tegucigalpa, 6 jan (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse hoje que os Estados Unidos não têm a força necessária para tirar do cargo o governante de fato, Roberto Micheletti.

"Vemos que os Estados Unidos estão pedindo a saída do senhor Micheletti, mas não têm a força para executar essa resolução", declarou Zelaya à emissora local "Rádio Globo".

"Os Estados Unidos estão lutando para que Micheletti saia da Presidência antes da posse (do líder eleito, Porfirio Lobo, em 27 de janeiro). No entanto, ele se negou e afirmou que já está subido no cavalo, com as esporas postas e com o freio, e dali ninguém absolutamente o tira", comentou.

Comparou a situação com "o ditado que diz: cria corvos e te arrancarão os olhos".

As declarações respondem as afirmações feitas instantes antes por Lobo, que depois de reunir-se ontem com o subsecretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, Craig Kelly, disse que os Estados Unidos querem que Micheletti deixe a Presidência até 15 de janeiro.

Micheletti, no entanto, reiterou hoje ao programa "Frente a Frente" do "Canal 5" que não renunciará porque "não há argumento legal para fazê-lo", pois o Congresso Nacional o designou para ficar no cargo até 27 de janeiro.

"Não vou mudar para que venha alguém aqui nos pressionar", disse o presidente de fato, que se limitará a não ir à posse de Lobo, que assistirá pela televisão.

Zelaya considerou que "apesar das boas intenções dos Estados Unidos desde o início, eles mesmos em sua democracia, em seus conflitos internos, terminaram vencidos, terminaram praticamente sem poder ajustar-se a um processo que tinha determinado a Organização dos Estados Americanos (OEA), as Nações Unidas", de restituí-lo na Presidência de Honduras.

Sobre o encontro que manteve ontem com Kelly, reiterou que "o processo de reuniões foi em relação a todo o conflito" gerado por sua derrocada em 28 de junho passado.

"O senhor Kelly veio diversas vezes", disse o líder destituído, que lembrou que "praticamente ele ficou encarregado de manter a comunicação de Honduras com o Departamento de Estado" sobre a crise.

Afirmou que "não há solução porque erros foram cometidos no caminho".

Nesse sentido, disse que "o processo eleitoral (de 29 de novembro) não fortaleceu Porfirio Lobo como se acreditava, mas fortaleceu Micheletti, fortaleceu os que deram o golpe de Estado" apesar de que, segundo ele, houve "baixa participação e repressão".

EFE lam/dm

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